Economia

Justiça aceita recuperação extrajudicial da Ri Happy e suspende cobranças

Imagem mostra um homem em uma obra carregando um capacete, um EPI de construção.
Foto: Depositphotos

A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aceitou na sexta-feira (23) o pedido de recuperação extrajudicial do grupo Ri Happy. A decisão suspende por 180 dias os processos de cobrança de dívidas por credores incluídos na reestruturação. As informações são da Gazeta do Povo.

O pedido envolve a Ri Happy e outras cinco empresas do grupo: PB Kids, Part Out Franquias, New Toys, Divertudo e Brincar Marcas e Participações. Juntas, elas acumulam dívidas de mais de R$ 827 milhões. Desse total, cerca de R$ 308,8 milhões já estão com credores que aderiram ao plano de recuperação.

As empresas têm 90 dias para comprovar que credores responsáveis por mais da metade do passivo de cada uma aceitaram o plano. Depois disso, o tribunal publicará um edital para que credores contestem a proposta em até 30 dias.

Grupo alega crise causada por pandemia e juros altos

O grupo Ri Happy justifica a situação financeira com os efeitos da pandemia de Covid-19, a desaceleração do consumo, a alta dos juros e a concorrência de produtos importados de pequeno valor. O governo federal chegou a criar a taxa das blusinhas, de 20% sobre compras de até US$ 50, mas voltou atrás neste ano e zerou novamente o imposto.

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira reconheceu os requisitos legais para o pedido, mas nomeou um administrador judicial pela complexidade do caso. A dívida está dividida em seis empresas com muitos credores espalhados pelo país. O profissional deve assinar termo de compromisso em 48 horas e apresentar plano de trabalho em 15 dias.

Cada empresa precisa comprovar adesão separadamente

A magistrada permitiu que as seis empresas participem do mesmo processo, mas negou tratá-las como uma única devedora. As atividades de cada uma são diferentes, incluindo buffet, venda de brinquedos, importação, franquias e recreação. Com isso, cada empresa terá que comprovar separadamente que conseguiu o apoio necessário dos credores.

A Ri Happy é uma das maiores varejistas de brinquedos do país. Foi fundada em 1988 pelo pediatra Ricardo Sayon. Em 2012, o fundo americano Carlyle adquiriu 85% da empresa. Em 31 de agosto de 2026, a BluSun Capital Partners comprou 100% do negócio. Apenas 48 dias depois da mudança de controle veio o pedido de recuperação extrajudicial.

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