Os juros futuros ampliaram o movimento de alta no período da tarde e as principais taxas terminaram a sessão regular nas máximas. O destaque da etapa vespertina foi a ponta longa, cujo avanço ganhou tração em meio a declarações consideradas ‘hawkish’ de diretores do Federal Reserve e que também levaram os rendimentos dos Treasuries às máximas do dia. Os demais vértices da curva doméstica continuaram sob o efeito da ata do Copom. A leitura do documento não só inibiu as apostas na continuidade dos cortes da Selic em 2020 como também reforçou a percepção de que a taxa básica vai subir no segundo semestre, com a curva já embutindo cerca de 1 ponto porcentual de alta no fim do ano que vem.

No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a 4,65%, na máxima, tanto a regular quanto a estendida, de 4,551% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 5,99% (regular) e 5,97% (estendida), de 5,822%. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 6,462% para 6,60% (regular e estendida). A do DI para janeiro de 2027 encerrou em 6,93% (regular e estendida), de 6,811%.

A ata influenciou especialmente os contratos com vencimento até 2023, que tiveram volume robusto hoje na B3. As apostas de pelo menos mais um corte na Selic em fevereiro continuam na mesa, mas ficaram bastante enfraquecidas depois das considerações dos diretores do Banco Central, em especial sobre o ritmo de atividade e mudanças no mercado de crédito.

“O comunicado já mostrava pouca disposição para cortes e a ata corroborou. A ata chama a atenção para o mercado de crédito mais aquecido e isso pode acelerar o mecanismo de transmissão da política monetária para a atividade”, destacou a economista-chefe da Azimut Wealth Management, Helena Veronese.

Na ata, os diretores afirmam que a ociosidade da economia pode se reduzir mais rápido do que o previsto, produzindo assim uma pressão inflacionária e avaliam que os últimos dados de atividade e a maior eficiência do mercado de crédito e de capitais também podem levar a uma redução mais rápida da ociosidade. Com isso, o mercado entende que o BC provavelmente não vai mais cortar juro, diz Helena, lembrando que há dois meses algumas instituições chegaram a falar em Selic a 3,75%. Em função disso, há bastante espaço para ajuste na curva.

Segundo cálculos do estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, depois da ata, a precificação de Selic na curva passou de -12,5 pontos ontem para -9,6 pontos hoje no fim da tarde, ou seja, 62% de possibilidade de Selic em 4,5% e 38% de chance de queda de 25 pontos-base. Para o fim de 2020, a curva já aponta Selic em 5,50%.

Com a pressão da ata na ponta curta e no miolo da curva, em tese os vencimentos longos teriam de ficar mais comportados. Porém, ampliaram os ganhos à tarde quando o retorno dos Treasuries bateu máximas. Além do número acima do esperado da produção industrial dos EUA em novembro, dirigentes do Fed endossaram a percepção de que não há mais espaço para corte dos fed funds.