Economia

Juros altos no Brasil exigem choque de credibilidade, diz XP

Imagem mostra uma calculadora com moedas e notas de real.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

O desgaste das instituições brasileiras e as incertezas eleitorais e fiscais impedem uma queda acentuada da taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano. Rodrigo Sgavioli, head de alocação de investimentos da XP Investimentos, afirma que apenas um choque de credibilidade conseguiria devolver a Selic a um dígito, algo que não acontece desde janeiro de 2022. As informações são da Gazeta do Povo.

O executivo aponta como principal problema um modelo de crescimento esgotado, que estimulou a demanda sem elevar a produtividade e deixou a dívida pública crescer mais rápido do que a economia. Sgavioli concedeu a entrevista durante evento da XP Investimentos em Curitiba.

Segundo ele, o ambiente de incerteza embute prêmios de risco nos ativos brasileiros. As taxas de juros futuras, que precificam questões fiscais, estão elevadas. A bolsa e os fundos imobiliários também carregam esse prêmio, mas para obter bons retornos é preciso assumir riscos maiores do que o necessário.

Empresas sólidas sofrem com risco Brasil

O peso do risco Brasil afeta até empresas com fundamentos sólidos. O desempenho da bolsa está mais ligado à curva de juro real de longo prazo e ao fluxo estrangeiro do que aos fundamentos das companhias. Mesmo negócios bem estruturados não atraem investimentos porque o mercado fica muito dependente do capital estrangeiro.

Sgavioli destaca que o Brasil tem bolsões de tecnologia e inovação, como Embraer e WEG, mas são casos específicos que não refletem a economia como um todo. O país tem muito do que o mundo quer, mas não deslancha de forma coesa por causa do prêmio de risco pesado, das questões de ambiente de negócios e do custo do capital.

Próximo presidente precisará atacar contas públicas

Para diminuir o risco Brasil, o próximo presidente terá de atacar as contas públicas. O país vive uma dinâmica de um pé no acelerador fiscal e outro no freio dos juros. Depois de quase 20 anos, o modelo de crescimento baseado em estímulo fiscal, parafiscal e creditício se mostrou cíclico e limitado.

O comprometimento da renda das famílias com dívida está quase em 30%. O estímulo adicional não está fazendo as classes de baixa renda consumirem, mas sim pagarem boletos. Para a desalavancagem acontecer e os juros caírem, será preciso ajustar o fiscal e aumentar a produtividade.

O executivo afirma que o próximo presidente tem a oportunidade de trazer um choque de credibilidade no início do mandato. A credibilidade já daria um grande choque, e ao longo do tempo o ciclo vicioso viraria um ciclo virtuoso. A queda dos juros diminuiria o serviço da dívida e o ambiente ficaria mais favorável.

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