São Paulo  – O comércio vai esperar um pouco para aumentar os juros, apesar da alta de 18% para 21% da taxa básica anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) – veja matéria na página 24. O economista da Associação Comercial de São Paulo, Emílio Alfieri, disse que se houver aumento será daqui a duas semanas, depois de passada a eleição. Para ele, a entrada de um governo de oposição pode significar mudanças na política monetária e ninguém se arriscará a tomar uma decisão neste momento.

– O recado foi dado. Haverá menos crédito e as taxas serão mais altas, afetando os consumidores, as empresas e o próprio governo. É o pior dos mundos e somente a ata do Copom poderá dizer o que o BC está levando em consideração, ou seja, se há alguma informação que não sabemos no campo internacional. Apesar disso, ninguém vai sair correndo para aumentar as taxas nas próximas duas semanas – afirmou.

Ele disse que acreditava que as medidas do Banco Central de aumentar o compulsório sobre os depósitos à vista, a prazo e sobre a poupança seriam suficientes. De acordo com o economista, as perspectivas do comércio para o Natal se já não eram boas ficaram piores.

Segundo Alfieri, as taxas de juros estão muito elevadas e em alguns casos a alta da Selic pode não ter nenhum efeito. Ele disse que uma ou outra instituição poderá subir os juros para não ficar no vermelho neste momento. A maior parte das financeiras, no entanto, vai esperar por mais 15 dias.

Para o economista, as taxas de juros para os financiamentos de veículos podem subir mais rapidamente, já que estão em patamares baixos atualmente. O economista disse ainda que o Banco Central tinha oportunidade para reduzir o juro na virada do ano, quando o risco país estava baixo e o dólar tinha voltado ao patamar de R$ 2,30, depois de atingir mais de R$ 2,80. Segundo ele, se a autoridade monetária tivesse tomado essa decisão a economia teria crescido mais. Alfieri disse que o BC agora está sempre correndo atrás do prejuízo.

– Não é que o BC esteja perdido, mas está sempre atrás do prejuízo. O BC está sempre reagindo e não antecipando as medidas. Se o aumento do compulsório não era suficiente na sexta-feira porque a alta da Selic não foi anunciada conjuntamente? -questionou.