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Economia

Juro é um assalto, diz vice-presidente da República

  • Por Agência Estado

Rio – As taxas de juros cobradas do consumidor são, muitas vezes, “um despropósito, um verdadeiro assalto”, disse ontem o vice-presidente da República, José Alencar (PL). Para ele, com os juros básicos da economia (taxa Selic) em 26,5% será “muito difícil” o Brasil cumprir a previsão de 2,8% de crescimento do PIB em 2003. “Os juros sacrificam muito a economia brasileira, não só pelo custo que representam na rolagem da dívida como também pelo entrave ao desenvolvimento. Há realmente uma incompatibilidade entre as taxas e o desenvolvimento”, reconheceu.

O senador também fez uma referência ao elevado risco Brasil, de 1.114 pontos. “Não há razão política, econômica nem social para o risco Brasil, a não ser as elevadas taxas de juros com as quais o País rola suas dívidas. Isso dá condição à banca internacional para desconfiar que um país que rola sua dívida a taxas tão desproporcionais pode deixar de honrá-la a qualquer momento.”

Defesa

Durante um almoço com representantes brasileiros e estrangeiros do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, o vice-presidente defendeu a política econômica adotada pelo governo, que aumentou duas vezes a taxa Selic em 2003. Alencar avisou que será mantida uma política monetária ortodoxa, para assegurar o controle da inflação.

“O desenvolvimento tem como princípio básico a manutenção das políticas clássicas macroeconômicas. Não imaginamos milagres ou mágicas com políticas heterodoxas”, disse em discurso aos empresários.

Segundo Alencar, é urgente que o País produza saldo positivo na balança comercial. Se chegar a US$ 20 bilhões em saldo comercial, calculou, o Brasil começará a “ajustar as contas externas”, criando condições para a redução dos juros, pois não haverá tanta demanda por dólares. O vice-presidente acrescentou que o governo terá de encontrar meios para garantir o superávit da balança comercial com crescimento das exportações e não com redução das importações, como ocorreu no ano passado.

Sacrifício

“Temos que fazer um esforço muito grande para conciliar esse crescimento sem descuidar do combate à inflação. A inflação é um imposto cruel. O remédio é sempre de sacrifício”, disse.

Alencar comentava as dificuldades geradas pelos juros básicos “exorbitantes” quando citou os juros cobrados ao consumidor e imaginou a situação de uma dona de casa que compra uma geladeira. “Ela vai pagar, às vezes, em determinados casos, juros de 8% ao mês, o que significa 150% ao ano. É um despropósito, um verdadeiro assalto e temos que combater isso”, disse o vice-presidente. Ele lembrou que o Brasil, entre 1950 e 1980, cresceu à média de 7,2% ao ano e citou as décadas “perdidas” de 80 e 90. “Ainda que houvesse dificuldades externas, se o Brasil tivesse ficado livre desses juros exorbitantes de juros, teria voltado a crescer”, afirmou.

Durante discurso sobre desenvolvimento sustentável aos empresários, que o próprio Alencar confessou ter sido escrito pelo empresário Eliezer Batista – a quem chamou por engano de Ezequiel -, o vice-presidente improvisou e passou a falar de economia.

No encontro, o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), José Armando Campos, disse que não acha difícil o Brasil ter saldo comercial de US$ 20 bilhões ainda este ano. Campos citou entre os argumentos para seu otimismo com a balança comercial a previsão de Alencar de que muito dificilmente o Brasil cumprirá a previsão de crescimento econômico de 2,8% este ano. “Menor crescimento significa maior possibilidade de aumentar o saldo comercial”, afirmou Campos.

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