Brasília (ABr) – As dívidas do governo federal, estados e municípios chegaram a R$ 1,021 trilhão em fevereiro. O valor representa mais da metade de todas as riquezas produzidas pelo País: 51,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados ontem pelo Tesouro Nacional, órgão do Ministério da Fazenda responsável pela administração da dívida pública.

O aumento de R$ 7,395 bilhões da dívida no mês passado foi resultado de dois movimentos, segundo os números apresentados pelo Tesouro. Os órgãos governamentais gastaram mais em juros da dívida em fevereiro deste ano do que no mesmo mês do ano passado: R$ 13,348 bilhões, em 2006, contra R$ 10,2 bilhões em 2005.

Por outro lado, caiu o ajuste que os governos federal, estaduais e municipais fazem para quitar esses juros, o chamado superávit primário. No bimestre janeiro/fevereiro deste ano, o superávit primário foi de R$ 7,79 bilhões. No mesmo período do ano passado, o ajuste foi de R$ 15,42 bilhões.

O gasto com juros, que não consegue ser coberto com o superávit, tem de ser coberto com novas dívidas. Isso fez o montante aumentar em R$ 7,395 bilhões, apenas no mês de fevereiro. Na prática, os governos federal, estaduais e municipais tiveram de aumentar suas dívidas em cerca de R$ 389 milhões por dia útil.

A redução do superávit tem motivos, segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. Lopes considera que janeiro teve uma ?concentração de resultados ruins?: as empresas estatais, que distribuíram altos dividendos, e os gastos da Previdência Social também foram maiores, no primeiro mês do ano, por causa do pagamento de precatórios (débitos por decisão judicial).

Lopes avalia que, mesmo menor, o resultado foi ?muito bom? e está dentro das expectativas do governo. O plano do Tesouro é reduzir, até o final do ano, a relação: dívida/PIB para 50,3%.

De acordo com o relatório do BC, os juros nominais acumulados nos últimos 12 meses terminados em fevereiro somaram R$ 164.433 bilhões (8,38% do PIB), ao passo que a economia para formação do superávit no mesmo período foi de apenas R$ 85.881 bilhões (4,38% do PIB). O déficit geral é, portanto, de R$ 78.552 bilhões (4% do PIB).