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Peretti palestrando.

Foz do Iguaçu – Mais da metade do dinheiro ganho pelos brasileiros é gasto com o pagamento de juros. De 1995 a 2007, as vendas a crédito, e portanto que incluem juros, aumentaram 654%. As constatações são de Luiz Carlos Peretti, do Instituto Stringhini, que orientou participantes da 17.ª Convenção da Faciap, em Foz do Iguaçu, como fazer administração financeira.

Segundo ele, é preciso ter consciência do custo do consumo, já que as taxas de juros variam de 6% – no comércio em geral – a até 12% em alguns cartões de crédito. Peretti defende a inclusão da gestão financeira no currículo escolar como forma de ensinar a população a administrar o próprio dinheiro.

?O maior problema é que 85% dos brasileiros gastam mais do que ganham?, disse o consultor. Ele enumera, entre as origens do problema, a facilidade do crédito, a falta de controle, de disciplina do consumidor e a impulsividade. ?Uma coisa leva a outra?, acrescenta. A impulsividade, aliada à falta de controle e a facilidade do crédito, vem formando gerações de devedores.

Outra origem para o problema está no fato de que 75% dos brasileiros são, ainda, analfabetos funcionais. ?São pessoas que sabem ler, mas que não conseguem interpretar aquilo que lêem?, explica Peretti. Isso leva a outro ponto interessante, constatado em pesquisas de consumo. Enquanto a classe menos favorecidas, os pobres, adquirem passivos, as classes mais favorecidas, os ricos, adquirem ativos, melhores possibilidades futuras.

?Precisamos investir na educação, como fez a Coréia. Precisamos formar melhores profissionais, conseqüentemente mais competitivos?, acrescenta o consultor, para quem ?é mentira? que o juro alto, o governo, a inflação e a baixa renda sejam responsáveis pelo endividamento. ?Isso se deve à falta de gestão financeira, a essa postura de consumismo, de falta de controle?, conclui.

Preocupação

O consultor Augusto de Franco, ao apresentar a Rede de Participação Política do Empresariado, distribuiu números preocupantes. Pesquisa da USP constatou que 46% dos brasileiros preferem a democracia (ou seja, a maioria, 54%, a considera dispensável). ?Quando a confiança ou o capital social caem, os investimentos vão junto?, disse Franco. Segundo ele, o fator político é ?determinante?.

O jornalista viajou para Foz do Iguaçu a convite da Faciap.