A taxa média mensal de juros cobrados do consumidor chegou no mês passado a 7,75%, uma queda de 7,07% em relação à praticada em dezembro de 2002 (8,34%). No mesmo período, a taxa de juros básica da economia, a Selic, hoje em 1,37% ao mês -16,5% ao ano – caiu 21,26%. De acordo com Miguel de Oliveira, presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), entidade que realiza levantamento mensal de juros, as taxas cobradas das pessoas físicas não caíram mais porque a oferta de crédito no mercado foi baixa durante o ano.

?Tecnicamente, toda vez que há redução na Selic, poderia haver uma queda na ponta. No entanto, há outros componentes que influenciam o patamar dos juros cobrados do consumidor, como o risco de inadimplência?, afirmou o economista.

A chance de calote em 2003, diz Oliveira, foi considerada alta pelos bancos devido ao desemprego recorde e queda na renda. Apesar disso, a taxa média de juros cobrada do consumidor cai desde junho, com exceção de novembro, quando houve alta.

Dessa forma, o consumidor que comprou uma geladeira de R$ 1.000 em dezembro de 2002 e dividiu em 12 vezes, pagou, em média, parcelas de R$ 135,04 por mês.

Ou seja, no final do parcelamento, desembolsou R$ 1.620,48. Para uma compra de mesmo valor e mesmo prazo efetuada no mês passado, um ano depois, o consumidor deve pagar em média parcelas de R$ 130,98, gastando R$ 1.571,76, R$ 48,72 a menos.

?Essas quedas ocorreram por causa dos cortes que o Banco Central vem efetuando na Selic e também de uma certa pressão do governo sobre as instituições financeiras para que elas baixem seus juros?, afirmou.

Todas as modalidades de juros pesquisadas pela Anefac caíram no mês passado em relação a novembro. Segundo o estudo da entidade, os juros cobrados da pessoa física pelo comércio em dezembro foram de 6,14% ao mês, queda de 0,49% sobre novembro.

Os altos juros cobrados pelas financeiras foram os que mais caíram no mês passado. Passaram, em média, de 13,02% ao mês em novembro para 12,14% no último mês do ano (recuo de 8,03%).

As perspectivas para este ano, afirma Oliveira, é de queda maior nos juros ao consumidor, já que a oferta de crédito deve crescer.

?Este pode ser o ano do crédito. A economia deve reagir, com aumento de emprego e renda, e, além disso, a expectativa é a de que o Banco Central continue cortando a Selic?, disse.

Para o economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Roberto Troster, a comparação entre a variação de duas taxas de juros só pode ser feita em termos de pontos percentuais.

Segundo ele, a taxa anualizada de juros ao consumidor em dezembro de 2003, de 161%, teve uma queda de 16,58 pontos percentuais em relação à de dezembro de 2002, de 177%. A Selic, em 16,5% ao ano atualmente, teve uma queda de 8,5 pontos percentuais em relação à taxa de dezembro de 2002, de 25%. Portanto, a Selic teria caído menos.