A quantidade de brasileiros jovens no setor de serviço doméstico é cada vez menor. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que 51,3% dos trabalhadores dessa categoria tinham até 39 anos em 2011 – em 2002, a fatia era bem maior, de 68,5%. Em números absolutos, o total de trabalhadores nesse perfil caiu de 5,2 milhões para 3,8 milhões.

A fuga dos trabalhadores mais novos é impulsionada pelo bom momento do mercado de trabalho, capaz de abrir oportunidades em outros setores da economia – em fevereiro a taxa de desocupação foi de 5,6%, a menor para o mês desde 2003, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O grau de escolaridade do brasileiro que atua em serviços domésticos também aumentou, o que facilita a migração para outras atividades. Os empregados domésticos com até 39 anos aumentaram o tempo de estudo médio de 5,9 anos para 7,2 anos entre 2002 e 2011. Na faixa acima de 40 anos, a escolaridade média cresceu de 3,8 anos para 5,3 anos no mesmo período.

“Quando a educação aumenta, a pessoa tem mais oportunidade. O mercado de trabalho está bom e o trabalhador mais qualificado não opta por fazer o serviço doméstico”, diz Fernando de Holanda Barbosa Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador do Ibre. “As novas gerações estão em posição de aproveitar esse momento de melhora no mercado de trabalho.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.