O governo do Japão apresentou a seu gabinete o maior orçamento inicial de sua história, atingindo 88,548 trilhões de ienes (cerca de US$ 991 bilhões), após Tóquio suspender os programas de reforma fiscal e tentar combater a crise econômica. Os gastos com defesa, previdência e outros programas irão subir 9,4% para o recorde de 51,731 trilhões de ienes (US$ 579 bilhões).

O orçamento é 5,487 trilhões de ienes (US$ 61 bilhões) ou 6,6% superior ao orçamento inicial apresentado para o ano fiscal atual que irá se encerrar em março de 2009. Esta diferença é a maior desde o ano fiscal de 1990, informou o Ministério e marca o terceiro ano seguido de expansão nos gastos do governo. O gabinete deve trabalhar na proposta e poderá aprová-lo em 24 de dezembro. O governo pretende vender 33,294 trilhões de ienes (US$ 372 bilhões) em títulos no próximo ano fiscal para financiar o orçamento, o maior montante em quatro anos, superando o valor de 25,358 trilhões originalmente planejado.

O orçamento proposto também revela a mudança de direção na política econômica a partir do primeiro-ministro, Taro Aso, saindo de uma política de austeridade dos últimos oito anos para uma política de combate aos efeitos da crise financeira e econômica global, que prejudicam as exportações do país. Entretanto, as finanças do governo devem deteriorar-se ainda mais, já que a idéia é vender títulos do governo para financiar os programas de estímulo econômico e compensar a queda na receita com impostos.

“A princípio, pretendemos manter a disciplina (fiscal)”, afirmou o ministro das Finanças, Shoichi Nakagawa, em entrevista após encontro de gabinete neste sábado. “Mas a deterioração de nossa economia nos meses recentes superou o imaginado. Responder com flexibilidade às condições econômicas está se tornando mais importante do que nunca”, acrescentou.

A segunda maior economia do mundo contraiu-se 1,8%, em termos anualizados, entre julho e setembro, pelo segundo trimestre seguido, e economistas esperam desaceleração maior no quarto trimestre do ano.

Desde que Aso assumiu o governo em setembro, sua equipe econômica aprovou dois pacotes de estímulo, que numa conta ampla soma 64 trilhões de ienes. Entretanto, as medidas que requerem desembolso rápidos representam menos de 10 trilhões de ienes.