Brasília

  – O preço da energia de Itaipu, que representa um quarto do consumo do País, será reduzido em 15,4% no próximo ano. Segundo o ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, em 2003 o preço do quilowatt/mês será de US$ 15,93, ante US$ 18,83 este ano, e deverá reduzir em 4%, em dólares, o preço da energia elétrica no País. Com isso diminuirá o impacto que a variação do câmbio terá sobre as tarifas no próximo ano, em reais.

Gomide informou que, em reunião realizada na sexta-feira a direção de Itaipu calculou o custo da eletricidade para 2003, tendo como parâmetro o serviço da dívida da empresa, os custos com operação e manutenção, o valor pago em royalties e os dividendos pagos aos acionisas. Chegou-se à conclusão de que, no próximo ano, Itaipu precisa gerar US$ 2 bilhões para cobrir esses gastos. Para 2002, esse custo foi estimado em US$ 2,3 bilhões. A queda se deve basicamente, segundo o ministro, à redução das parcelas de dívidas a serem pagas pela companhia.

As tarifas de energia não serão afetadas pelo impacto que o aumento do dólar venha a ter sobre as dívidas de distribuidoras de energia, garantiu Gomide. “Se a distribuidora fez dívida em dólar, foi porque quis”, comentou o ministro. Ele explicou que, no momento de definir as tarifas, a variação do dólar é computada apenas na energia comprada de Itaipu e nos custos do gás natural importado da Bolívia, usado em algumas termoelétricas.

Cemar

O ministro disse que o episódio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), que sofreu intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é um exemplo que vale para todas as concessionárias do País, inclusive as grandes distribuidoras. “A questão societária nunca prejudica os serviços públicos, pois para isso a Aneel tem remédios”, comentou Gomide. O aumento da cotação do dólar, admitiu, acaba reduzindo ou anulando lucros e diminuindo o pagamento de dividendos aos acionistas das empresas.

O mercado de energia deve ser explorado por empresas que tenham capital próprio para investir e não por investidores que precisem fazer dívida em dólar, alertou Gomide. “O País tem uma taxa de crescimento de consumo de 4% a 5% ao ano, coisa que não existe em outros países”, observou.

As dificuldades que o País atravessa no momento não são empecilhos definitivos para os investidores, segundo Gomide. Em sua opinião, o investidor quer regras claras e estáveis e quer conhecer a realidade do mercado onde atua. O fato de a energia hoje estar com preço baixo, segundo ele, sinaliza que o País não necessita de mais eletricidade para pelos próximos três ou quatro anos. Mas ele lembra que é agora que devem ser adotadas as medidas que garantirão mais energia a partir de 2007.