Rio  – A classe média brasileira perde a respiração na hora de enfrentar o Imposto de Renda. O engenheiro Claudio Martinez e a mulher, Márcia, que o digam. Ele reclama que o limite de R$ 1.998 permitido pela Receita Federal para abater despesas com a educação do filho, Felipe, de 11 anos, não cobriu sequer cinco mensalidades da escola no ano passado. Sem falar nas despesas, não reembolsadas pelo Fisco, com livros, material escolar e um curso de português para ajudar na preparação do filho.

Esperando um bebê para julho, o casal já está pensando na despesa com a filha, cuja dedução é limitada a R$ 1.272 anuais (por dependente).

? A dedução não vai dar nem para pagar as fraldas ? ironiza Martinez. ? É irrisória. Não dá para vestir, não dá para alimentar. O IR pune mais a classe média e não há incentivos para instrução de filhos e contribuinte. Se a mordida do Leão tivesse retorno em educação, saúde e segurança, a pessoa se sentiria menos lesada, mas não tem ? lamenta o engenheiro, funcionário dos Correios.

Segundo estudo da consultoria Ernst & Young, no Japão o total de abatimentos permitidos é quase quatro vezes maior do que no Brasil. Aqui é de 35% do rendimento de um contribuinte que ganha R$ 4.500 por mês, e lá chega a 136%. Ou seja, supera o salário do japonês com esse mesmo perfil e ele acaba isento, livre do IR. Já na Noruega, o nível de deduções é três vezes maior do que no Brasil.

?- No Japão, a dedução de dependente é nove vezes maior que aqui no País e com a esposa é quase 20 vezes maior. No Brasil, que precisa investir em educação e mão-de-obra, quem faz isso não tem retorno ? disse José Manoel Rainho Silva, sócio da Área de Consultoria Tributária da Ernst & Young.

Outro problema de quem vai acertar as contas com o Fisco é a defasagem na correção da tabela do IR, que chega a 28,5% com a alta da inflação, segundo especialistas.

? A tabela congelada implica aumento do IR. O governo Lula deveria cortar gastos para poder fazer justiça e corrigir as tabelas na fonte ? disse o tributarista Ilan Gorin.