Rio – Depois da Refinaria de Manguinhos, agora é a vez da Refinaria Ipiranga ameaçar suspender as atividades caso o alto preço do petróleo no mercado externo não seja repassado ao preço dos combustíveis no Brasil. Segundo a diretora-superintendente da refinaria gaúcha, Elizabeth Tellechea, a empresa já acumula perdas de R$ 20 milhões em 2004 devido à defasagem entre a cotação internacional e o preço interno dos combustíveis.

Na semana passada, o diretor comercial da Refinaria de Manguinhos, Marcus Vasconcellos, deu o mesmo recado. As duas refinarias privadas brasileiras já reduziram em 40% o volume de produção de derivados de petróleo, com o objetivo de minimizar as perdas e ambas ameaçam parar caso continuem tendo prejuízos. Segundo cálculos dos executivos, a defasagem no preço da gasolina supera os 30%. Atualmente, dizem, o petróleo cru está mais caro do que os derivados, o que significa que a matéria-prima vale mais do que o produto acabado.

A Refinaria Ipiranga é responsável por 14% do abastecimento de combustíveis do Rio Grande do Sul e ocupa o quarto lugar na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado, segundo nota divulgada ontem pela empresa. No primeiro trimestre, a companhia registrou um prejuízo operacional superior a R$ 2 milhões devido à defasagem dos preços. Agora, com o petróleo rondando a casa dos US$ 40 por barril há cerca de um mês, as perdas aumentaram. Uma das soluções para o problema seria o aumento do preço dos combustíveis, com o repasse da alta no mercado externo.