A crise “mais longa e mais profunda” do que o esperado inicialmente tem determinado a piora cada vez mais intensa do mercado de trabalho, processo que deve se arrastar para 2016, avaliou a economista Maria Andréia Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Estamos perdendo não só quantidade, mas qualidade”, afirmou a especialista.

No trimestre até agosto, 1,089 milhão de pessoas perdeu seu emprego com carteira assinada em comparação a igual período do ano passado. “Quando isso acontece, ela perde sua cobertura social, a possibilidade de planejar decisões de consumo. Além disso, há impacto na arrecadação, pois ela para de recolher à Previdência”, explicou.

Além da deterioração qualitativa, esse fenômeno tem alimentado a busca por trabalho por mais brasileiros, que tentam recompor o poder de compra. “No momento em que ele perde emprego, não é só ele que sai atrás de uma vaga. É aquela história, o que conseguir, conseguiu”, sintetizou.

Nem sempre, porém, essas pessoas conseguem se recolocar no mercado de trabalho por meio da carteira assinada, e a informalidade cresce. “É o famoso jeitinho. Se não consigo algo semelhante, vou tentar de outra forma”, disse a pesquisadora.

É por isso que tem havido aumento no número de pessoas que trabalham por conta própria (926 mil pessoas em um ano) e de trabalhadores domésticos (86 mil). “Com a economia crescendo, houve saída para o setor de serviços. Mas, à medida que esses setores começam a demitir e essas pessoas não conseguem realocação, elas voltam para o trabalho doméstico”, disse Maria Andréia.