O calendário econômico brasileiro na segunda semana de agosto será dominado pelas divulgações de indicadores de inflação e de balanços de grandes empresas e bancos. O centro das atenções será o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, por se tratar da divulgação fechada do primeiro mês do segundo semestre deste indicador, que é o principal balizador dos efeitos da política monetária conduzida pelo Banco Central. O IPCA de julho, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado na quarta-feira. No primeiro semestre, o índice acumulou alta de 2,08%, após subir 0 28% em junho, resultado idêntico ao de maio.

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Em junho, o IPCA teve como principal marca a disputa de forças entre a alta do grupo Alimentação e a queda no preço dos combustíveis. Em julho, o IPCA deverá mostrar que os alimentos continuaram a ter como principais representantes de alta os segmentos de leites e carnes, mas que o grupo ganhou como um forte contrapeso a influência da queda das tarifas de energia elétrica, em cidades como Curitiba e, principalmente, São Paulo, onde houve redução de 12,66%, anunciada pela Eletropaulo. Essa queda nos preços das tarifas de energia já foi sentida de maneira significativa em outros indicadores de inflação ao consumidor, inclusive no IPCA-15 de julho, que subiu 0,24% ante 0,29% de junho e trouxe estas contribuições relevantes.

Outros indicadores

Ainda na quarta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciará o primeiro indicador de inflação com os dados de agosto: o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da primeira quadrissemana do mês. Será a oportunidade de constatar se este indicador manterá a trajetória de desaceleração observada em julho, quando subiu 0,47% na primeira quadrissemana; variou 0 39% na segunda; 0,35% na terceira; e 0,28% no encerramento, sempre com forte influência da redução na tarifa de energia elétrica.

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Um dia antes, na terça, a FGV anunciará o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho, calculado com base nos preços coletados entre os dias 1º e 30 do mês de referência. Em junho, o IGP-DI apresentou alta de 0,26%, indicando uma recuperação dos preços agrícolas do atacado, em sentido oposto aos preços industriais, que passaram a registrar deflação.

Na sexta-feira (10), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) anunciará o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da primeira quadrissemana de agosto. A inflação paulistana que em julho foi de 0,27%, deverá trazer, de maneira bem mais significativa, o impacto da redução da energia elétrica, já que a Fipe tem uma outra metodologia de incorporação do cálculo. Há, inclusive, no mercado financeiro quem acredite em deflação durante agosto na cidade de São Paulo, por conta da energia.

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Focus e comércio

Fora os índices de inflação, o mercado financeiro aguarda na segunda-feira a divulgação da tradicional pesquisa Focus do Banco Central, com as expectativas das instituições do próprio mercado sobre a economia. No mesmo dia, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) trará o resultado da balança comercial na primeira semana de agosto. Em julho, o superávit comercial foi de US$ 3,347 bilhões ante US$ 3 816 bilhões de junho.

Balanços corporativos

A segunda semana de agosto será forte também na divulgação de balanços referendes ao segundo trimestre e o consolidado do primeiro semestre de 2007. Entre os setores, destacam-se o financeiro, com o anúncio das demonstrações do Bradesco (06/08), Itaú (07/08) e Unibanco (09/08) e o químico, com Suzano Petroquímica e Unipar no dia 7 e Braskem e Ultrapar no dia 8.

A semana também será importante para conhecer os impactos financeiros da crise aérea nas maiores companhias do setor: a Gol apresenta seus números na quarta-feira (8) e a TAM, na sexta (10). As siderúrgicas Gerdau e Usiminas também divulgam seus balanços, na quinta e sexta-feira, respectivamente. Também merecem destaque os dados das distribuidoras CPFL e Cemig, dias 7 e 10.

EUA e Europa

Nos Estados Unidos, o evento de destaque na semana será a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), na terça-feira. É praticamente consensual entre os analistas a previsão de que o Fed vai manter a taxa básica de juros da economia americana nos níveis atuais, de 5,25% ao ano, nas próximas duas reuniões. No entanto, há muito interesse no comunicado que acompanhará a decisão.

Entre os indicadores econômicos dos EUA, os destaques do calendário são os dados da produtividade e do custo da mão-de-obra no segundo trimestre, na terça-feira, os dados do desempenho do setor de hipotecas e estoques de petróleo, na quarta, e o indicador de preços das importações, na sexta.

No calendário corporativo, as principais companhias que divulgam balanços financeiros na semana que vem são a Cooper Tire & Rubber (06/08), Cisco Systems, Duke Energy, El Paso e Tyco International (07), News Corp e Sprint Nextel (08) e Dynegy (09).

Na Europa, destaque para dados de produção industrial e do comércio exterior dos principais países europeus (Reino Unido, Alemanha e França).