Rio  – A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) recuou para 1,14% em março ante os 2,19% registrados em fevereiro. Segundo economistas, a desaceleração na variação deste índice, que funciona como uma espécie de prévia do IPCA fechado do mês, já reflete a política monetária austera aplicada na nova gestão do Banco Central (BC).

“Isso significa que a inflação está em rota de desaceleração. O recuo foi expressivo. Este resultado foi influenciado pelas altas da selic (taxa básica de juros) que foram realizadas pelo BC agora este ano, e também pelas outras já realizadas no final do ano passado”, disse o ex-diretor do BC e economista do Ibmec Carlos Thadeu de Freitas.

O indicador foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e calculado com base nos preços do dia 13 de fevereiro a 14 de março, comparados com os preços vigentes de 15 de janeiro a 12 de fevereiro.

O IBGE justificou o recuo no indicador informando que, no período de coleta de preços do índice, houve desaceleração na variação de preços nas tarifas de ônibus urbanos (de 8,06% para 2,80%) e intermunicipais (de 9,57% para queda de 0,05%); gasolina (de 6,64% para 1,71%); mensalidades escolares (de 6,59% para 0,90%) e alimentos (de 1,47% para 1,32%). Houve também queda de 3% nos preços do gás de cozinha no período.

O instituto divulgou ainda o IPCA-Especial do primeiro trimestre deste ano, que é formado pelo IPCA-15 acumulado no período, e ficou em 5,40%. Nos últimos doze meses, a taxa de inflação medida pelo índice ficou em 16,33%.

Freitas observou que, apesar dos sinais positivos de recuo na prévia do IPCA, a desaceleração da inflação está ocorrendo de forma mais lenta do que o mercado esperava. Para ele, o IPCA de março ficará próximo a 1%, variação inferior ao índice fechado de fevereiro, que foi de 1,57%.