O diretor Financeiro da Odebrecht TransPort (OTP), Marcelo Felberg, defendeu taxas de retorno adequadas para garantir a atração de investidores para os projetos de infraestrutura no País nos próximos anos. O executivo também defendeu a melhora da qualificação dos projetos, de maneira a permitir a diversificação das fontes de financiamento para o setor, hoje concentrado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em debate sobre os desafios e oportunidades para o setor de infraestrutura nos próximos 10 anos, em São Paulo, o executivo avaliou que a necessária diversificação da fontes de financiamento e garantia do setor passa pela definição de taxas internas de retorno “que permitam que o investidor se remunere adequadamente”.

“Existe uma dificuldade relacionada à concentração dos financiamentos no BNDES, mas entendemos que no ambiente de correta alocação de risco e retorno, permitindo que a taxa de retorno seja adequada e não legislada, é possível atrair o investidor privado”, disse.

Felberg citou como exemplo do interesse do investidor, inclusive estrangeiro, no setor de infraestrutura brasileiro o recente acordo ente Odebrecht TransPort e Mitsui para a formação de uma joint venture no segmento de mobilidade, no qual a parceira japonesa investirá R$ 500 milhões para ficar com cerca de 40% de participação. “Essa empresa vai investir em projetos de mobilidade que já estão no portfólio e também em novos projetos”, disse, comentando que o projeto do governo paulista de trens regionais “claramente é projeto que interessa e estaria no escopo”.

O executivo considera que uma alternativa de financiamento para infraestrutura deve ser o mercado de capitais, mas considerou que essa saída também depende da taxa de retorno dos projetos. Em meio ao aumento das taxas de juros do País e o baixo crescimento econômico, o setor voltou a comentar sobre as taxas de juros dos projetos, especialmente para as concessões federais. Interlocutores comentam que seria necessário voltar à mesa de negociações e buscar alterações nos projetos para garantir uma melhor taxa de retorno.

Ao longo do ano passado, a União conseguiu conceder diversos projetos de rodovias, mas os leilões só foram bem-sucedidos depois de uma primeira licitação frustrada, em meio a críticas das empresas interessadas de que o governo não deveria tentar definir de partida a taxa de retorno, como estava tentando fazer.

Além da taxa de retorno, Felberg comentou que para os projetos serem “adequadamente financiáveis”, precisam ser “qualificados” e indicou que as Propostas de Manifestação de Interesse (PMIs) seriam uma forma “bastante eficaz” para atingir a qualificação e acelerar o programa de investimento em infraestrutura. Conforme ele mesmo destacou durante sua apresentação, a Odebrecht investe significativamente em PMIs.

Crescimento

Também presente no debate sobre infraestrutura, o diretor do centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, comentou sobre a necessidade de o Brasil reduzir a dependência do BNDES para os financiamentos. Ele lembrou que no atual cenário de necessidade de ajuste fiscal, os próprios créditos financiados pelo banco de fomento terão de passar por ajustes.

Ele defendeu, porém, que o País precisa afastar o risco de rebaixamento, para “ressuscitar o mercado de capitais” e garantir a manutenção da trajetória do crescimento do investimento de infraestrutura.

Langoni considera que o setor de infraestrutura é o único que pode, pari passu com o ajuste a ser feito, permitir a retomada do crescimento, a partir do final de 2015 e 2016. “O momento é de alavancar a infraestrutura, já que não vamos poder contar com instrumento ante cíclico de natureza fiscal. Esse é o grande motor que será capaz de elevar a taxa de investimento, que apresentou uma queda relevante e que precisamos reverter”.