Foto: Aliocha Maurício

Munira Calluf: ?Para quem está iniciando, o ideal é conversar com uma pessoa do meio?.

Investidores brasileiros estão de olho em um mercado ainda pouco explorado: o de obras de arte. Com a taxa básica de juros em queda, investimentos na renda fixa e em títulos públicos estão se tornando menos atraentes. O resultado é a procura maior por investimentos de risco, que proporcionam possibilidade maior de ganho – caso do mercado de ações e, mais recentemente, do de artes.

?Na Europa e nos Estados Unidos investir em obras de arte é bem comum. No Brasil, o mercado ainda está ?engatinhando?; só agora as pessoas estão se especializando, trazendo novidades de fora?, comentou o economista e analista financeiro Luiz Carlos Heller de Pauli.

Para o economista, investir em arte pode ser um bom negócio, desde que a pessoa tenha conhecimento do que está comprando. ?É um mercado restrito, não é qualquer um que compra. Mas quem detém esse conhecimento tem vantagem em relação aos demais?, comentou.

Para quem está interessado em investir neste segmento, o melhor é buscar orientação profissional. ?Para quem está iniciando, o ideal é conversar com uma pessoa do meio, alguém que diga o que pode ou não valorizar?, aconselha a marchand Munira Calluf, proprietária da galeria de arte Um Lugar ao Sol, no centro histórico de Curitiba. Segundo ela, a partir de R$ 2 mil ou R$ 3 mil é possível comprar quadro de um bom artista.

Artes x Ações

O economista Luiz Carlos de Pauli lembra que é o perfil de cada pessoa que define o melhor investimento. ?Para as pessoas que têm aversão ao risco, que querem segurança, o melhor é investir em renda fixa ou no mercado imobiliário; elas não chegam a ganhar muito, mas sabem de quanto é a rentabilidade. Já as obras de arte, assim como o mercado de ações, têm potencial de ganho maior, até mesmo pelo risco que se corre?, explicou.

Outro risco no mercado de arte é a ausência de informações. ?No mercado de ações há um histórico de cotações, as finanças da empresa a serem consultadas. A partir disso, o investidor escolhe quais ações comprar?, comparou. Já as referências no mercado de arte são quadros – ou outros objetos – vendidos em leilões. ?O preço acaba variando conforme por quanto uma pessoa está disposta a vender e a outra a comprar. É muito imprevisível.? A falta de liquidez é outro aspecto negativo do mercado de artes. ?Um quadro não é como ações, que você vai lá e vende. Por isso, o ideal é comprar para uso próprio, mas sabendo que no longo prazo ele vai estar ganhando?, arrematou.

Valorização de uma obra pode ser subjetiva

Mas o que faz um artista, ou mesmo um trabalho, ser mais reconhecido que outro? Segundo Munira Calluf, destacam-se os artistas que dedicam – ou dedicaram – a vida inteira à arte. ?Não é aquele que pinta apenas como hobby?, apontou. Quando um trabalho é ?descoberto? por um colecionador estrangeiro, a chance de se valorizar também é grande.

Entre os artistas paranaenses que têm se destacado, Munira cita Rogério Dias, René Tonzack, Belmiro Santos e Sofia Diminski. ?Um quadro de Rogério Dias, por exemplo, que foi vendido por R$ 3 mil quatro anos atrás, hoje vale R$ 7,5 mil?, exemplificou. Porém, como qualquer outro investimento de risco, a rentabilidade nunca é garantida. ?É difícil um quadro desvalorizar, mas alguns valorizam mais que outros ao longo dos anos?, explicou.

E assim como há excelentes trabalhos de artistas famosos, há aqueles concebidos em ?momentos de pouca inspiração? e por isso valem menos. ?Um artista pode ter duas obras do mesmo tamanho: uma de R$ 23 mil e outra que vale menos de R$ 10 mil. Esta segunda deve valorizar menos que a primeira?, comentou, acrescentando que ?nem sempre o artista está inspirado.?