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Economia

Investidor estrangeiro não se afastará do Brasil

  • Por Agência Estado

Milão, Itália – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que a guerra no Iraque “pode influenciar todos os ativos, de maneira negativa e positiva”, Mas nos contatos com investidores estrangeiros, durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Meirelles informou estar percebendo uma reação muito favorável ao Brasil.

“A reação tem sido muito positiva à medida que o mercado toma conhecimento do que está sendo feito pelo governo nos diversos aspectos, seja no campo fiscal, monetário e no âmbito das reformas.” Ele aposta na continuidade da tendência de queda do risco-Brasil. “A recuperação é um processo gradual, que não se esgota em noventa dias, mas que vai continuar com as medidas que estão sendo tomadas e que serão tomadas”, afirmou. “Estamos nesse processo normal de continuidade e não há dúvida de que ainda existe muito espaço para uma melhora sobre os ativos do País.” Segundo o presidente do BC, o governo está tomando as medidas necessárias para melhorar os fundamentos da economia.”E em função disso, estar preparado para as evoluções do mercado, com momentos de maior otimismo e outros de maior pessimismo”, disse. “O importante é que os fundamentos estejam bem colocados e que o Brasil esteja preparado para lidar com os diversos humores do mercado.”

Investimento externo

Meirelles descartou a avaliação de alguns analistas de que a redução da estimativa oficial de fluxos de investimentos diretos estrangeiros para o Brasil, de US$ 15 bilhões para US$ 13 bilhões, poderia ter sido causada, em parte, pela incertezas do ambiente regulatório no País. “Isso é uma evolução normal da situação global, os níveis de investimentos diminuíram no mundo inteiro”, disse. “Não acho que tenha nada específico, esse comportamento está dentro do nível de atividade não apenas do Brasil.”

Juros

A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 26,5%, com viés de alta, na semana passada, está sendo alvo de algumas críticas no mercado. Segundo analistas, o uso do viés foi um ato político, para evitar a terceira alta consecutiva da Selic no governo Lula. Ou seja, ao colocar o viés de alta, o BC deixou para o mercado fazer o “trabalho sujo” e elevar os juros na BM&F.

Questionado sobre o tema, Meirelles disse que os motivos que justificam a decisão pelo viés de alta constarão da ata do Copom, a ser publicada nesta semana. Mas rechaçou qualquer influência política na decisão. “O Copom age tecnicamente, não houve e não há nenhuma interferência externa”, disse Meirelles.

O presidente do BC, apresentou ainda, na reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Milão, na Itália, uma nova projeção de déficit em conta corrente do País para 2003. A estimativa, de acordo com os dados no site do BC, foi reduzida de US$ 5,581 bilhões para US$ 4,2 bilhões.

Guerra não impede exportações

Brasília (AE) – As exportações mantiveram a tendência de crescimento na terceira semana de março e ajudaram a garantir o saldo positivo de US$ 326 milhões, o melhor registrado entre as três semanas deste mês. Com isso, antes do fim de março o comércio exterior brasileiro apresenta um superávit de US$ 817 milhões, 37% superior ao de todo o mês do ano passado. Em 2003, o saldo já alcança US$ 3,1 bilhões, 367% maior ante os US$ 663 milhões registrados nos primeiros três meses de 2002.

Segundo boletim divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, comparando-se a média até a 3.ª semana de março (US$ 265 milhões) com a de março de 2002 (US$ 213,1 milhões), houve crescimento de 24,4%, resultado da ampliação das vendas de todas as categorias de produtos. As exportações de básicos subiram 36,1%, principalmente, soja em grão, farelo de soja; café em grão, carne de frango, bovina e suína, e minério de ferro.

As vendas de semimanufaturados tiveram incremento de 35,9%, em razão de óleo de soja, celulose, semimanufaturados de ferro/aço, madeira serrada, alumínio em bruto e couros e peles. Os manufaturados apresentaram aumento de 16,5%, por conta de laminados planos, óleos combustíveis, suco de laranja, motores para veículos, móveis, pneumáticos, madeira compensada, autopeças e calçados.

A média diária das importações até a 3.ª semana de março foi de US$ 202,2 milhões, 10,3% acima da média do mesmo mês de 2002 (US$ 183,3 milhões), e 4,3% superior à de fevereiro de 2003 (US$ 193,9 milhões). No comparativo com março do ano passado, de acordo com o boletim, ampliaram-se os gastos com combustíveis e lubrificantes (80,4%), adubos e fertilizantes (72,8%), siderúrgicos (29,5%), plásticos e obras (21%), borracha e obras (12,5%), produtos diversos das indústrias químicas (12,2%), cereais e produtos de moagem (10,1%) e químicos orgânicos e inorgânicos (6,7%).

Em relação ao mês passado, houve aumento nas aquisições de siderúrgicos (39,3%), combustíveis e lubrificantes (32%), produtos diversos das indústrias químicas (29,9%), adubos e fertilizantes (16,8%) e plásticos e obras (11,2%). Na terceira semana de março, a balança comercial apresentou exportações de US$ 1,352 bilhão e importações de US$ 1,026 bilhão. No ano, as vendas externas totalizam US$ 13,251 bilhões e as importações, US$ 10,151 bilhões.

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