Economia

Interferência de Moraes pode ter agravado rombo do Banco Master

Imagem mostra Daniel Vorcaro.
Foto: Reprodução/Youtube/TVLIDE/ Gazeta do Povo.

A possível interferência do ministro Alexandre de Moraes em favor do banqueiro Daniel Vorcaro pode ter agravado o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no sistema financeiro brasileiro. Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que, entre outubro e novembro de 2025, semanas antes da liquidação da instituição, Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter investigações que antecederam sua prisão e o fechamento do banco. As informações são da Gazeta do Povo.

A liquidação do Master, do Master de Investimento e do Letsbank gerou um impacto de R$ 40,6 bilhões nas reservas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Somadas às quebras da Will Financeira e do Banco Pleno, também de Vorcaro, o rombo alcançou R$ 57,4 bilhões. A investigação aponta que Moraes e Vorcaro tiveram ao menos oito encontros entre 2024 e 2025.

Os ativos do conglomerado passaram de R$ 3,7 bilhões em 2019 para R$ 86,4 bilhões em novembro de 2025. Quanto mais tempo o banco continuasse operando, maior seria a exposição a terceiros e o prejuízo final absorvido pelo FGC, por investidores e outras instituições.

Bancos precisaram antecipar contribuições ao FGC

O patrimônio líquido do FGC era de R$ 123,2 bilhões ao fim de 2025. Com o rombo de R$ 57,4 bilhões, os demais bancos tiveram de antecipar cinco anos de contribuições ordinárias, totalizando R$ 32,5 bilhões. O desembolso recorde fez com que valores que poderiam ser usados no futuro para proteger depositantes precisassem ser antecipados.

Para investidores com mais de R$ 250 mil aplicados no Master, a garantia do FGC cobriu apenas até esse limite. O excedente depende da venda dos ativos restantes nos processos de liquidação conduzidos pelo Banco Central (BC).

Governos estaduais e municipais ficaram expostos a perdas

O Ministério da Previdência identificou cerca de R$ 1,86 bilhão aplicado por 18 regimes próprios de previdência em títulos ligados ao Master. O caso mais grave é o do Rioprevidência, cuja exposição chegou a R$ 3,69 bilhões. Fundos do Amapá, Amazonas e 15 municípios também foram afetados, com perdas potenciais de R$ 4,49 bilhões.

No Distrito Federal, o Banco de Brasília (BRB) adquiriu carteiras do Master que chegaram a R$ 30,4 bilhões. O BC identificou inconsistências e comunicou possíveis ilícitos ao Ministério Público Federal. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, está preso e teria recebido R$ 74 milhões em propina de Vorcaro.

Vorcaro pediu a Moraes para bloquear investigações

Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro escreveu a Moraes pedindo que reforçasse com o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República para que ninguém fizesse “uma sacanagem” com o Master. Nos dias seguintes, o banqueiro perguntou ao ministro se conseguiria “bloquear a maldade” e se havia como adiar medidas judiciais.

No dia 16 de novembro, véspera de sua prisão, Vorcaro pediu: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, o banco não quebra”. Ele foi preso no dia 17 enquanto tentava embarcar para Dubai. O relatório da PF mostra que a relação entre os dois começou em dezembro de 2023, quando o ex-ministro Fábio Faria compartilhou o contato de Moraes com o banqueiro.

Em janeiro de 2024, Vorcaro assinou um contrato de R$ 131,2 milhões com o escritório da esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes. O documento foi aberto e editado pelo próprio ministro, segundo metadados do arquivo confirmados pela banca.

STF vai decidir sobre investigação de Moraes

O ministro André Mendonça levantou o sigilo do relatório da PF que revelou a relação entre Vorcaro e Moraes. A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do documento, alegando que Mendonça não poderia ter determinado a apuração sem autorização do plenário. Moraes, por sua vez, pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade.

Uma sessão plenária foi convocada para 15 de abril para que os ministros decidam sobre possível abertura de investigação contra Moraes. O gabinete do ministro foi procurado pela reportagem, mas não retornou ao contato.

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