A intenção de consumo das famílias brasileiras caiu pelo terceiro mês consecutivo em outubro, atingindo 103,6 pontos, o menor resultado desde janeiro. A queda de 0,8% em relação a setembro ocorreu por preocupação com as perspectivas de emprego e a perda de poder de compra. As informações são da Gazeta do Povo.
A retração atingiu todos os indicadores analisados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O destaque foi a disposição de comprar produtos de maior valor, como eletrodomésticos e móveis. O indicador de Momento para Compra de Duráveis caiu 1,8%, na terceira queda consecutiva e na maior redução desde o início dessa sequência.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, afirmou que ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas.
Percepção sobre renda cai pelo quinto mês seguido
A percepção sobre a renda continua em trajetória negativa, com queda de 0,3% em outubro. Foi o quinto mês consecutivo de retração nesse componente, sinalizando dificuldades das famílias para ampliar o orçamento destinado ao consumo.
O endividamento é um dos fatores que limitam a capacidade de compra dos brasileiros. Dados recentes do Banco Central apontam que 49,9% das famílias brasileiras acumulam altas dívidas. Tadros destacou que parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro.
Perspectiva profissional registra maior queda entre componentes
Na comparação com outubro de 2025, o indicador de Perspectiva Profissional caiu 7,7%, o maior entre todos os componentes da intenção de consumo. Apenas 48% dos entrevistados mantêm uma avaliação positiva sobre suas perspectivas profissionais, o menor percentual desde setembro de 2022.
A sensação de segurança no emprego também perdeu força. Segundo a CNC, 42,7% das famílias consideram o momento seguro para conseguir ou manter uma ocupação, percentual inferior ao registrado nas pesquisas anteriores.
O consumo efetivo das famílias atingiu 90,1 pontos em outubro, o menor patamar desde dezembro de 2025. O componente Nível de Consumo Atual recuou 1,3% no mês e acumula quatro meses de enfraquecimento. A retração foi semelhante entre as famílias de diferentes faixas de renda, com queda de 0,8% tanto entre aquelas que recebem até dez salários mínimos quanto entre as que ganham acima desse valor.
