O governo federal pretende reforçar a reestruturação da Infraero para que a estatal deixe de vez a participação acionária em grandes aeroportos e passe a focar apenas em terminais regionais, prestação de serviços e execução de projetos. A mudança ficou evidente no edital de relicitação do Aeroporto Internacional de Brasília, que determina a venda da participação da Infraero na concessionária Inframerica e a proíbe de disputar a nova concessão. As informações são da Gazeta do Povo.

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A Infraero foi criada há 53 anos e hoje administra apenas 23 aeroportos regionais e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, contra 66 terminais que gerenciava antigamente. A perda de espaço começou em 2011 com a política de concessões dos grandes aeroportos à iniciativa privada, mantida pelos governos seguintes. Desde 2019, a estatal passou a deixar gradualmente as sociedades das concessionárias.

O edital de Brasília prevê cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos até 2037. A medida foi aprovada pelo Tribunal de Contas da União como parte da solução para manter o contrato do aeroporto até 2037. A atual concessionária poderá participar da disputa novamente, desde que apresente a melhor proposta.

O ministro Tomé Franca, de Portos e Aeroportos, afirmou em entrevista recente ao site Neofeed que a Infraero precisa redirecionar seu tamanho para fazer gestão de alguns aeroportos regionais e alcançar novas funções, dando contribuição à aviação brasileira.

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Além de deixar os grandes aeroportos, a Infraero também encolheu em número de funcionários. Dos cerca de 13 mil empregados que tinha no auge, restam 3,5 mil, sendo apenas 890 em atividade direta e cerca de 2,7 mil cedidos a outros órgãos públicos.

Mesmo mantendo participação de 49% em concessionárias de aeroportos como São Paulo/Guarulhos, Belo Horizonte/Confins e Campinas/Viracopos, a Infraero tem pouca influência nas decisões por ser acionista minoritária. Ao mesmo tempo, os aeroportos regionais administrados pela estatal geram baixo movimento e exigem altos investimentos.

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O governo também negocia a repactuação da concessão de Viracopos e já iniciou estudos para vender as participações da Infraero em Guarulhos, Confins e no próprio aeroporto de Campinas. A estratégia é ampliar a participação da iniciativa privada nos grandes terminais e redefinir o papel da estatal.

Os resultados financeiros mostram o impacto direto dessa transformação, com uma queda de R$ 2,488 bilhões no faturamento em 2024 para R$ 986 milhões em 2025. A Infraero informou que fechou o ano passado com um lucro líquido de R$ 316,2 milhões, revertendo o prejuízo apurado no ano anterior.