A inflação "oficial" acumulada no primeiro semestre deste ano na Argentina é de 3,9%, segundo informações do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Mas, de acordo com economistas independentes, a inflação "real" é superior a 10,5%, ou seja, quase três vezes maior que o índice "oficial" do Indec.

O país conta, desde janeiro, com dois índices de inflação. Um, "oficial", é elaborado pelo Indec, organismo sob intervenção do governo do presidente Néstor Kirchner. O outro, denominado de "real", é preparado pelos economistas e funcionários dissidentes do organismo, que não concordam com a intervenção decretada por Kirchner.

Além da inflação, começam a surgir dúvidas sobre a elaboração do índice de desemprego. Segundo o Indec, o índice de desemprego no segundo trimestre deste ano é de 8,5%. Se for levado em conta o 1,2 milhão de pessoas que recebem subsídios do Estado – os "Planes Trabajar" (Planos Trabalhar) – o índice aumentaria para 9,5% da população economicamente ativa (os "Planos Trabalhar", apesar do nome, são subsídios entregues sem prestação alguma de serviços por parte dos beneficiados). Mas, em ambos casos, segundo os dados oficiais, o índice de desemprego estaria em apenas um dígito. Esta é a primeira vez desde 1993 que o indicador de desemprego cai para nível inferior a 10%.

Camuflagem

Funcionários do Indec denunciaram que o índice de desemprego da Argentina está sendo descaradamente camuflado pelo governo Kirchner. Uma centena de funcionários dissidentes protestaram na frente da sede do organismo contra a manipulação de dados. No entanto, a polícia reprimiu os manifestantes, ferindo dez pessoas.

A oposição critica o governo pelas manipulações dos índices oficiais. Eles alegam que a "maquiagem" dos indicadores está prejudicando a imagem da Argentina no exterior. "O índice de desemprego é de uma inconsistência gravíssima", afirmou o líder sindical dos funcionários do Indec, Daniel Fazio. Segundo ele, o indicador foi elaborado de forma irregular, já que as pessoas encarregadas de realizar a pesquisa estão em greve há semanas.