A meta de inflação para esse ano, de 4,5%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ser cumprida com folga, na avaliação do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. De acordo com ele, isso é perceptível ao se observar o resultado acumulado do ano, até novembro, para o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), que é de 3,87%.

O IPC-S, que mede semanalmente o comportamento dos preços junto ao consumidor, é uma espécie de prévia do resultado total do IPC – que também mede a inflação do varejo, assim como o IPCA. De acordo com Braz, a taxa do IPC-S na última quadrissemana de dezembro deve ficar em torno de 0,30%. Isso, segundo o economista, deve conduzir a um resultado anual inferior a 4,5% para a inflação do varejo em 2007.

"Para atingir um resultado anual de 4,5% em 2007, o IPC-S da última quadrissemana do ano teria que subir 0,60%. Não há expectativas para uma variação tão alta quanto essa", disse o economista.

Braz observou ainda que, para um resultado acima da meta, o último IPC-S do ano teria que ter resultado superior a 0,60%, o que não parece provável para o economista, dadas as perspectivas mostradas pelas movimentações de preços, atualmente.

Hoje, a FGV anunciou o resultado da última quadrissemana de novembro do IPC-S, que subiu 0,27%. Para a próxima quadrissemana que será encerrada em 7 de dezembro, a variação do índice deve continuar acelerando, principalmente pela possibilidade de permanência na aceleração atual dos preços dos alimentos.

Entretanto, o economista avaliou que, mesmo com a perspectiva de aceleração do índice, o cenário de preços na inflação do varejo não conduz à preocupação, na avaliação de Braz. Ele comentou que o núcleo do IPC-S de até 30 de novembro, calculado a partir da exclusão das principais elevações e das mais expressivas quedas de preços, subiu 0,25% em novembro – ante aumento de 0,24% em outubro. Esse indicador é usado para mensurar tendências para os rumos futuros da inflação. "O núcleo, em novembro, ficou praticamente estável", disse.