A inflação oficial do Brasil caiu 0,32% em agosto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (11). A deflação, puxada principalmente pela redução da conta de luz, dos alimentos e dos transportes, foi a maior queda mensal do IPCA desde agosto de 2022. As informações são do IBGE.
O resultado representa uma mudança em relação aos meses anteriores, quando o índice registrou alta de 0,07% em julho e de 0,16% em junho. Com o recuo de agosto, a inflação acumula alta de 3,11% no ano e de 4,22% em 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados no período de 12 meses encerrado em julho. A inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central, que estabelece um centro de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Conta de luz cai 7,63% e puxa deflação em habitação
O principal impacto sobre o resultado de agosto veio do grupo Habitação, que teve queda de 1,87%. A conta de luz foi um dos principais fatores para a deflação, com queda de 7,63% na energia elétrica residencial. O movimento refletiu a incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto, enquanto a bandeira tarifária amarela continuou acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Esse resultado para o grupo de Habitação é o menor para um mês de agosto desde o Plano Real, informou José Fernando Pereira Gonçalves, pesquisador do IBGE.
Apesar da queda da conta de luz, o grupo também teve pressão de alta com o gás encanado, que subiu 1,74%, influenciado por reajustes em Curitiba (10,21%) e no Rio de Janeiro (1,80%), além da taxa de água e esgoto, que avançou 0,11%.
Transportes e alimentos registram quedas expressivas
Nos Transportes, a queda de 0,86% foi influenciada principalmente pela redução de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis. O etanol caiu 3,95%, o óleo diesel recuou 0,80%, a gasolina teve baixa de 0,59% e o transporte por aplicativo ficou 4,57% mais barato, enquanto o gás veicular subiu 2,62%.
Na alimentação, os preços dos produtos consumidos dentro de casa recuaram 0,61%. Entre as maiores quedas estiveram batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). O grupo Alimentação e bebidas recuou 0,34%.
Os demais grupos pesquisados registraram altas: Artigos de residência (0,64%), Vestuário (0,12%), Saúde e cuidados pessoais (0,23%), Despesas pessoais (1,30%) e Educação (0,47%). O grupo de Despesas pessoais teve a maior variação por causa do aumento no preço do cigarro (19,59%).
