Arquivo / O Estado
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Indústria da madeira foi uma
das que apresentaram queda.

O emprego na indústria de transformação paranaense ficou praticamente estável no mês de junho, com crescimento de 0,01% e saldo positivo de apenas 37 empregos. Em igual mês do ano passado, o saldo havia sido de 4.307 postos de trabalho. Foi o pior junho desde 1992. Os dados fazem parte da pesquisa Indicadores Conjunturais da Indústria Paranaense, divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).

O interior do Estado foi quem respondeu pelo pior desempenho, com queda de 0,08% no nível de emprego e saldo negativo de 275 vagas. Já a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) registrou crescimento de 0,19% e saldo positivo de 312 vagas. Entre os setores que contribuíram para o mau desempenho, destaque para a indústria da madeira e do mobiliário, que registrou saldo negativo de 623 vagas e indústria de borracha, fumo, couros, peles e similares, com queda de 575 vagas. De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese-PR, a indústria da madeira está sofrendo os efeitos da queda do dólar, que vem afetando as exportações. Já a queda no emprego da indústria de fumo está atrelada ao período de entressafra da cultura.

Em contrapartida, os setores que mais contribuíram para a geração de empregos em junho foram a indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico (795 empregos), indústria mecânica (210) e indústria química (106).

Primeiro semestre

No primeiro semestre (janeiro a julho), o nível de emprego cresceu 5,15% na indústria de transformação do Paraná, o que representou saldo positivo de 24.606 vagas. Ao contrário do que ocorreu em junho, a maior parte dos empregos (20.034 vagas) foi gerada no interior, enquanto o restante (4.572) na RMC.

O saldo ficou menor do que o obtido no primeiro semestre do ano passado, quando chegou a 39.407 vagas. Apesar da queda de quase 38%, lembrou Sandro Silva, foi o segundo melhor desempenho da indústria de transformação desde 1992, atrás apenas de 2004.

Entre os setores que mais empregaram no primeiro semestre, destaque para a indústria de alimentos e bebidas (16.280 vagas), seguida pela indústria têxtil (2.725) e de material de transporte (1.648).

Na comparação com outros estados, o Paraná registrou o oitavo melhor desempenho (5,15%), acima da média nacional, que ficou em 3,29%. No saldo de empregos, o Paraná ocupou a terceira posição, atrás de São Paulo – cujo saldo é de 114.453 empregos – e Minas Gerais, com 31.330.

Com exceção do mês de abril – quando o saldo de empregos este ano foi maior do que o do ano passado -, em todos os demais a performance do primeiro semestre em 2005 foi pior. Além disso, entre os 12 subsetores que compõem a indústria de transformação paranaense, apenas o de material elétrico e de comunicação apresentou melhor desempenho este ano, com o saldo de empregos passando de 1.032 para 1.480. Em todos os demais, o saldo neste primeiro semestre foi menor – o pior deles, a indústria de madeira e mobiliário, teve o saldo reduzido de 5.696 ano passado para -1.252 este ano.

Agroindústria

A agroindústria respondeu no primeiro semestre por 56,38% dos empregos gerados no primeiro semestre, correspondendo a 14.173 vagas. Entre as atividades que mais empregaram, destaque para a fabricação e refino de açúcar (7.729 empregos), abate de carne e pescado (3.616) e produção de álcool (3.555).

Produção cresceu 7,95% no primeiro semestre

Puxada pelos setores de edição, impressão e reprodução de gravações, veículos automotores e refino de petróleo e álcool, a produção industrial do Paraná encerrou o primeiro semestre com crescimento de 7,95% na comparação com igual período do ano passado. Foi o melhor desempenho da indústria de transformação desde 94, conforme dados divulgados ontem pelo Dieese-PR.

Voltada principalmente para o mercado interno, a indústria de edição, impressão e reprodução registrou aumento de 39,39% na produção. Em seguida, aparece o setor de veículos automotores, com crescimento de 35,44% – o aumento nas vendas e a produção do Fox e CrossFox, pela Volkswagen, contribuíram para o índice. Já o aumento no refino de petróleo e álcool ?é mais estatístico do que real?, ponderou o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro. É que em junho do ano passado houve uma parada técnica na Refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária, o que distorce os dados.

Na outra ponta, os setores que apresentaram os piores desempenhos foram o de outros produtos químicos – representado por adubos e fertilizantes – com queda de 34,26%, madeira (-5,30%) e produtos de metal (-4,32%).

Folha de pagamento

A folha de pagamento média real cresceu 0,24% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos 12 meses, o aumento é de 1,13%. ?A renda real está aumentando, mas marcado por um ritmo lento?, apontou Cordeiro. Já o número de horas pagas caiu 1,17% no primeiro semestre e 1,43% nos 12 meses – um sinal preocupante, afirmou Cordeiro. ?As empresas estão diminuindo as horas-extras. Chega um momento em que podem começar as demissões?, alertou. (LS)

Cinco regiões absorvem 64,3% das vagas formais

As regiões de Curitiba, Maringá, Londrina, Cascavel e Cornélio Procópio absorveram 64,3% das 67.628 novas vagas do mercado formal do trabalho de janeiro e maio deste ano. É o que revela um levantamento da Coordenadoria de Estudos, Pesquisas e Relações de Trabalho, CRT da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social a partir dos dados do Cadastro Geral dos empregados e desempregados, Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.

A coordenadora de pesquisas da Secretaria do Trabalho, Elza Maria Campos, disse que o mercado formal de trabalho apresenta neste ano a segunda melhor performance nos últimos anos. ?Devemos permanecer atentos sobre o comportamento da economia em 2005. Dependendo da taxa do crescimento do Produto Interno Bruto, podemos esperar melhor desempenho, ou não, na geração de novos empregos?, diz ela.

Segundo levantamento da secretaria, nos cinco primeiros meses deste ano, foram admitidos 413.231 trabalhadores no Estado, 36,3% pela indústria de transformação e 28,4% pelo setor de serviços.

Dos 24.569 empregos formais ofertados na indústria de transformação, 23,1% foram absorvidos pelos municípios da região de Maringá; Curitiba participou com 19,6%; Cornélio Procópio com 11,7%; Londrina com 8,1% e Cascavel com 7,7%.

Já das 19.736 vagas implantadas pelo setor de serviços, 45,1% foram ocupadas pelos municípios da região de Curitiba; 12,7% por Londrina; 8,7% por Maringá; 7,5% por Cascavel e 5% por Ponta Grossa.

Sobre o total de vagas, a agropecuária foi responsável por 14,6%; o comércio por 14,4%, a construção civil por 3,9% e demais atividades e subatividades econômicas com pouca oferta de mão-de-obra formalizada como a administração pública, serviços industriais de utilidade pública e extrativa mineral por 2,4%.

Salário médio

O salário médio auferido pelos ingressos nos cinco primeiros meses deste ano alcançou R$ 487,72. Na indústria de transformação o rendimento médio atingiu R$ 475,33; no setor de serviços alcançou R$ 541,50; no comércio R$ 445,00; na agropecuária R$ 345,51 e na construção civil R$ 558,23.

Os municípios que compõem os escritórios regionais de Curitiba e Ponta Grossa obtiveram salário médio nas admissões superior à média do Estado com R$ 578,45 e R$ 506,15, respectivamente. Nas regiões onde as vagas foram ofertadas na indústria de transformação e no setor de serviços o salário médio é mais elevado, como é o caso de União da Vitória (R$ 459,15), Foz do Iguaçu (R$ 453,15), Francisco Beltrão (R$ 447,10), Guarapuava (R$ 444,31%) e Londrina (R$ 442,84).

Os lugares onde o comércio e a agropecuária foram responsáveis pela maior parte das admissões, a média salarial foi menor. Em Jacarezinho o rendimento médio foi de R$ 354,46, em Cornélio Procópio R$ 362,82, em Cianorte R$ 382,18, em Paranavaí, R$ 384,24 e em Campo Mourão R$ 384,44.