Indústria defende mais cursos tecnológicos

A pouca oferta de cursos nas áreas tecnológicas prejudica o crescimento econômico do País. Além disso, há um distanciamento entre a academia e o setor produtivo. Estas opiniões são consenso entre grande parte do empresariado brasileiro e paranaense. A posição ficou clara no 1.º Fórum Inter-Regional Sul e Sudeste, realizado na última segunda-feira, em São Paulo, para debater a reforma do ensino superior proposta pelo governo federal.

Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o jornal Valor Econômico, o fórum reuniu lideranças empresariais, dirigentes de empresas, reitores, pesquisadores e professores. O mesmo fórum acontece amanhã, em Recife, com os estados do Norte e Nordeste. As propostas serão encaminhadas ao anteprojeto de lei da reforma do ensino superior.

A opinião dos empresários tem respaldo nos números. Indicadores do Censo da Educação Superior de 2003, divulgado em outubro do ano passado pelo Ministério da Educação, mostram que as 1.859 instituições de ensino superior existentes no Brasil oferecem 16.453 cursos. Mais de dois terços se concentram nas áreas de ciências humanas e sociais.

No Paraná, não há dados disponíveis que revelem a proporção total na distribuição dos cursos por área. Mas um levantamento feito em oito importantes instituições de ensino superior públicas e privadas (UFPR, PUCPR, Unicenp, Tuiuti, UEL, UEM, Unioeste e UEPG) mostra que enquanto o número total de cursos da área tecnológica é de 97, os cursos das áreas de ciências sociais, humanas, jurídicas e da área de ensino chegam a 171.

O presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, que participou do evento em São Paulo como relator, disse que o anteprojeto de reforma do ensino superior está desconectado do setor produtivo e que as propostas encaminhadas pela CNI ao governo federal não foram contempladas. ?O anteprojeto fala em sindicatos e ONGs, mas nem cita as indústrias?, afirmou.

O empresário Ernesto Heinzelmann, presidente da Embraco – Empresa Brasileira de Compressores, fez críticas à parte do empresariado brasileiro que não investe em pesquisa e desenvolvimento. Segundo ele, a visão da maioria é de curto prazo. ?Os industriais precisam entender que a atividade de pesquisa é de risco e que, muitas vezes, se aprende mais com o processo de desenvolvimento do que com o produto final?, disse.

Ele contou que a Embraco tem fábricas no Brasil, na Itália, na Eslováquia e em Pequim. A empresa começou suas atividades comprando tecnologia de terceiros, levou 10 anos para ter independência tecnológica e outros sete para ser reconhecida como líder em tecnologia.

Ensino

O especialista em educação e presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras, Cláudio de Moura Castro, destacou a importância da autonomia das universidades. Para ele, a autonomia e a avaliação das universidades são ?irmãs siamesas?. Segundo ele, para dar autonomia à instituição de ensino é preciso avaliar. ?Autonomia sem avaliação é irresponsabilidade.?

Segundo Moura Castro, a concessão de autonomia deveria ser feita nos moldes do que ocorre na indústria moderna, com a definição de metas. A partir dessas metas, a instituição deve realizar o trabalho da forma que achar melhor e, no final, apresentar os resultados. Para Castro, o sistema deve prever punições ou premiações para instituições ou pessoas que não cumpram o combinado ou que fazem muito bem feito, como ocorre nas empresas.

O superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Carlos Cavalcante, lembrou que há exemplos de práticas vitoriosas da relação entre a indústria e a universidade em diversos setores, como o siderúrgico. É o caso da Universidade Federal de Minas Gerais e da de Ouro Preto, que realizaram trabalhos com a Acesita e a Usiminas. ?Infelizmente, não é uma prática generalizada. Ao contrário, o que se encontra são exceções de belos resultados.?

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