Indústria de base reclama do câmbio para o ministro Mantega

 Foto: Arquivo/O Estado

Ministro Guido Mantega.

Depois que o governo começou a receber as reivindicações de setores produtivos que estão passando por dificuldade, principalmente por causa da taxa de câmbio, a fila aumenta a cada dia. Ontem foi a vez de a Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib) ser recebida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O presidente da entidade, Paulo Godoy, classificou o cenário de "preocupante" e pediu, como solução emergencial, a desoneração de toda a cadeia de bens de capital sob encomenda.

De acordo com Godoy, o setor vem perdendo competitividade e mercado a cada ano devido à valorização do real e aos custos excessivos relacionados ao capital, ao trabalho e aos tributos. Segundo a entidade, dificuldades crescentes já afetam fornecedores das áreas de óleo, gás, mineração, siderurgia, papel e celulose, energia elétrica e transporte ferroviário. Na lista dos problemas apresentados por Godoy ao ministro da Fazenda estão os causados pela tributação elevada em relação a outros países, pelo peso excessivo da rigidez da legislação trabalhista e pelo alto custo do crédito. A Abdib alerta que tais custos são altos e crescentes.

A entidade de classe também está preocupada com a insuficiência de investimentos em infra-estrutura e em indústrias de base, o que resulta na queda da demanda por tais equipamentos. Para atenuar a situação, enquanto as grandes reformas institucionais são avançam, a Abdib defendeu uma desoneração emergencial de toda a cadeia de bens de capital sob encomenda. A idéia da entidade é que, com a redução significativa dos custos associados à carga tributária, a indústria local reúna condições tanto para competir com os bens importados em projetos de investimento no Brasil quanto para participar de concorrências internacionais.

Autopeças

Anteontem, o setor de autopeças teve uma reunião de mais de três horas com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. Na pauta, várias reivindicações para minimizar o problema do câmbio, entre elas o fim da obrigatoriedade de fechar o câmbio do produto exportado num determinado prazo.

"A partir do ano que vem não temos mais condições de ganhar mercado. Perdemos competitividade e não temos condições de fechar novos contratos", disse o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori.

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