São Paulo – A escalada da cotação do dólar e do petróleo no mercado internacional já tem impacto nos preços da indústria brasileira. Fabricantes de aparelhos de imagem e som, equipamentos de informática, eletroportáteis e resinas plásticas anunciaram reajustes de até 17% a partir deste mês. Essa nova rodada de aumentos deve ganhar força no cenário atual. No início do ano, a indústria tentou, com pouco sucesso, repassar para os preços a alta das commodities no mercado internacional, estimulada pelo crescimento da China e dos Estados Unidos. Agora, além desses fatores, conta com os sinais de recuperação do consumo interno para emplacar os aumentos.

A Polibrasil, que faz resinas plásticas, produto derivado do petróleo, aumentou entre 12% e 17% seus preços, dependendo do produto, desde o dia 15 deste mês, informa o presidente da companhia, José Ricardo Roriz Coelho. “O reajuste não inclui a alta do dólar. É só aumento de custo da matéria-prima, a nafta petroquímica”, diz o executivo.

A novidade desse reajuste é que ele foi linear para todos os clientes, independente dos volumes comprados. Para julho, fontes do mercado dizem que as indústrias de resinas plásticas planejam outro aumento de 10%. O aumento das resinas plásticas tem potencial para disseminar a alta de preços, uma vez que a matéria-prima é usada na produção de gabinetes de televisor e peças de automóveis até sacolas plásticas do supermercado.

Preocupado com a alta de custos, o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens Flexíveis (Abief), Sérgio Haberfeld, reivindica do governo a redução da alíquota de importação das resinas, que hoje está entre 18% e 20%. Nas suas contas, se o imposto de importação caísse para algo em torno de 2%, seria possível reduzir os preços da resina no mercado doméstico a cotações equivalentes às do mercado à vista (spot) internacional. Haberfeld diz que a indústria de resinas nacional inclui no preço a taxa de importação. Desde janeiro, as resinas plásticas subiram 35% e não existe margem para os fabricantes de embalagens flexíveis absorverem essa alta de custos.

Televisores

A indústria de bens duráveis, como televisores, computadores e eletroportáteis, também prepara aumentos de preços, ressentida duplamente dos efeitos da alta do dólar e das resinas plásticas usadas na maioria dos itens que produz.

A Semp Toshiba, por exemplo, vai reajustar entre 4% e 6% os preços dos computadores e copiadoras a partir do mês que vem, segundo o diretor de Vendas da Área de Informática, Celso Soares. “Nos computadores de mesa, o aumento pode chegar a 10%.”

No segmento de aparelhos de imagem e som, a Semp Toshiba também planeja aumentar em 10% os preços a partir de junho, por conta da alta do dólar, diz o diretor Nacional de Vendas, Luís Freitas. Antevendo as pressões do varejo, a empresa considera a possibilidade de parcelar o reajuste. De toda forma, ele será inevitável, diz Freitas.

A alta do dólar tem potencial para provocar aumentos de outros produtos, como aço, cobre e óleo de soja, cujos preços são balizados pelo mercado internacional.