A nova crise política que atingiu o governo Michel Temer após a delação do empresário Joesley Batista, da JBS, eleva o risco de frustração do início da recuperação dos investimentos no País. A análise é do técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Leonardo Mello de Carvalho, responsável pelo Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).

continua após a publicidade

“A gente ainda está em compasso de espera em função da turbulência política e existe uma possibilidade disso afetar o investimento. A decisão (de investir) tem sempre muito peso na expectativa. Se aumenta a incerteza no campo econômico e político é natural que empresários adiem essa intenção”, diz Carvalho, para quem é fundamental que se preserve a equipe econômica e as reformas em qualquer circunstância.

continua após a publicidade

O Ipea trabalha com uma estimativa de crescimento de 0,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) e de 0,1% do investimento em 2017, mas poderá revisar esses números no fim deste mês. No caso da FBCF, o diagnóstico já levava em conta um momento de saída da recessão, com resquícios como a alta capacidade ociosa, mas o início de uma trajetória de recuperação gradual.

continua após a publicidade

Nesta terça-feira, o instituto divulgou seu indicador de FBCF referente a abril. O dado apontou alta de 0,6% ante março, quando registrou recuo de 4,3%. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, entretanto, o indicador foi negativo em 7,7%. A queda acumulada no ano chega a 4,7% e é de 6,0% nos 12 meses acumulados até abril.

O desempenho positivo na margem foi calcado na maior produção doméstica de bens de capital e no aumento das importações, ambas com peso importante no indicador. Por enquanto, diz Carvalho, a pequena melhora se apresenta na reposição de equipamentos por depreciação, sem aumento de capacidade na indústria.