Economia

Inadimplência de empresas bate recorde e atinge 9,1 milhões no Brasil

Imagem mostra uma pilha de moedas com um porquinho cofinho branco ao lado.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA.

A inadimplência das empresas no Brasil bateu recorde em junho de 2026 e atingiu 9,1 milhões de negócios com dívidas em atraso, que somam R$ 232,9 bilhões. Os números são os maiores desde o início da série histórica em 2016, segundo dados da Serasa Experian divulgados nesta terça-feira (18). As informações são do jornal O Globo.

Em maio, eram 9 milhões de empresas negativadas e R$ 229,9 bilhões em dívidas. Em apenas um mês, o número de empresas endividadas cresceu 1,1%, enquanto o total das dívidas subiu 1,3%. Cada empresa negativada tem, em média, 7,3 contas atrasadas e deve R$ 25.508,96.

Os pequenos negócios são os mais atingidos: 8,7 milhões das empresas inadimplentes são micro e pequenas, cerca de 95% do total. O setor de serviços concentra 55,7% das empresas com dívidas, seguido pelo comércio, com 32,2%, e pela indústria, com 8%. Entre os credores, os serviços concentram 31,6% das dívidas, seguidos por bancos e cartões, com 19,5%.

A crise atinge das pequenas às grandes empresas e fica evidenciada com os recentes pedidos de recuperação judicial de negócios considerados sólidos, como Casas Bahia, Marabraz, Mobly e Tok&Stok. O setor supermercadista também foi afetado: o Pão de Açúcar recorreu à reestruturação com cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.

Recuperações judiciais crescem 6,2% no semestre

O número de empresas ativas em recuperação judicial no Brasil registrou crescimento de 6,2% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, com 6,3 mil companhias sob reestruturação, segundo levantamento do monitor RGF-Bizdoc.

O cenário ocorre enquanto o crédito continua caro, mesmo com o início da queda da taxa Selic (taxa básica de juros da economia). A taxa passou de 15% para 14% ao ano desde março, mas continua pesando no bolso de empresas e consumidores.

Os programas de renegociação de dívidas, mesmo movimentando bilhões de reais, não impediram o avanço da inadimplência. No Pronampe, foram 185 mil repactuações, envolvendo R$ 26 bilhões em dívidas, enquanto o ProCred360 registrou 47 mil repactuações, somando R$ 2 bilhões.

Famílias também enfrentam aperto financeiro

A dificuldade das empresas acompanha o aperto financeiro das famílias, que deixam de consumir para pagar outras contas. A inadimplência entre consumidores chegou a 83,9 milhões de pessoas em julho, enquanto 74,6% da renda das famílias está comprometida com empréstimos, cartões e contas básicas. Nas famílias de menor renda, esse comprometimento chega perto de 90%.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, as renegociações ajudam, mas oferecem apenas um alívio temporário. Ela avalia que a queda dos juros pode encontrar limites se o governo não avançar no controle das despesas e na estabilização da dívida pública. O desafio é evitar que o endividamento provoque uma desaceleração brusca da economia e comprometa a capacidade das empresas de manter empregos.

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