A inadimplência das famílias brasileiras atingiu 8% em agosto de 2026, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central em março de 2011. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (29) pelo BC. No crédito livre com atrasos acima de 90 dias, o índice chegou a 6,6%, alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho. Entre as empresas, a inadimplência avançou 0,1 ponto e alcançou 4,3%.
O avanço foi registrado em diferentes modalidades de crédito. No cartão de crédito rotativo, aquele acionado quando o consumidor não paga a fatura integralmente no vencimento, a inadimplência passou de 65,5% para 66,2%. No cartão como um todo, o índice chegou ao recorde de 10%.
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, afirmou que a taxa está no nível mais elevado da série em todos os recortes: crédito total, crédito livre, crédito direcionado e pessoas físicas.
Consignado privado registra alta expressiva
O crédito consignado para trabalhadores do setor privado apresentou forte aumento. A inadimplência praticamente dobrou em um ano, passando de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto de 2026. O avanço ocorreu após a expansão dessa linha pelo governo, em meio a problemas na implementação do desconto automático quando o trabalhador muda de emprego.
No crédito pessoal consignado geral, a inadimplência alcançou 3,8%. No não consignado, chegou a 11%. Na modalidade sem garantias, atingiu 15,6%.
Segundo Rocha, cerca de metade do crescimento observado na inadimplência se deve a uma mudança de critério contábil. A alteração deu às instituições financeiras maior flexibilidade para definir quando uma operação será baixada como prejuízo.
Juros elevados pressionam consumidores
A pressão sobre os consumidores ocorre em um cenário de juros elevados. O crédito livre para as famílias registrou juros de 61,7% ao ano em agosto, alta de 1,4 ponto percentual no mês. No cartão rotativo, as taxas chegaram a 444,9% ao ano, aumento de 8,7 pontos percentuais. No parcelado, atingiram 192,1% ao ano, alta de 2,8 pontos.
O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, alta de 0,2 ponto percentual no mês. O comprometimento da renda permaneceu em 28,7%. Os indicadores são calculados pelo Banco Central com defasagem.
Diante do avanço dos atrasos, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas. A iniciativa prevê até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de dívidas de pessoas físicas com atrasos entre dois e 4,5 anos, com expectativa de renegociar até R$ 150 bilhões em débitos.
