Foto: Aliocha Maurício/O Estado
Dinheiro é curto para pagar dívidas e consumir.

Apesar da busca pela recuperação do crédito no mês de dezembro, por conta das compras de final de ano, com alta de 14,81% nas exclusões de registros de inadimplência ante dezembro de 2005, o fechamento do ano passado comprova que os brasileiros se endividaram mais do que em 2005. É o que revela levantamento do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), divulgado ontem.

 Segundo o serviço, em 2006 os registros de inadimplência por parte dos lojistas à base de dados do SPC para análise de crédito do consumidor cresceram 22,39% com relação ao montante de 2005. De acordo com o SPC, os meses com maior volume de inclusão de registros no ano passado foram nos meses de fevereiro, julho e agosto, os quais ultrapassaram os 50% na comparação com os mesmos meses de 2005.

O levantamento aponta que as classes D e E aumentaram a capacidade de acesso ao crédito. ?E o varejo passou a proporcionar vendas em até doze pequenas prestações?, observou o presidente do SPC Brasil, Araken de Carvalho Novaes, para explicar que esse movimento fez com que aumentassem também as consultas ao SPC Brasil no último ano na proporção de 8,92%, quando comparado a 2005. Para ele, as pequenas prestações iludem o consumidor, ao fazê-lo acreditar que conseguirá honrar suas dívidas.

?Os consumidores vêem as pequenas prestações e se entusiasmam a adquirir produtos, acham que as compras cabem dentro dos vencimentos e, ao final, comprometem-se mais do que poderiam e desestabilizam as finanças pessoais diante de qualquer imprevisto no decorrer do ano?, assinala.

Para Novaes, o resultado do levantamento evidencia ainda um sinal de mudança de tática para recuperação de débitos especialmente por parte de empresas do setor de infra-estrutura, como telefonia e energia elétrica, que vêm buscando o serviço. O segmento de educação ao lado de profissionais liberais também tem mostrado que o SPC Brasil passou a ser uma alternativa para redução de perdas com inadimplência de clientes. ?O crescimento dos registros em mais de 20% no período contém o peso dessas decisões em setores que extrapolam o comércio, há alguns anos, único setor que recorria ao SPC?, avaliou.

As reabilitações de crédito em 2006 foram ascendentes, de acordo com o SPC Brasil. No total, houve uma alta de 13,70% em exclusões de registros de inadimplência do SPC Brasil, em comparação com 2005. Segundo Novaes, a informação, no entanto, tem sua relevância relacionada ao volume de inclusões. ?À medida que mais pessoas passam a constar como devedoras na base de dados, também aumenta o número de inadimplentes procurando livrar-se das dívidas?, ressaltou o presidente do SPC, ao destacar que o déficit entre as inclusões e as exclusões é de mais de 60%.