Impulsionado pela forte valorização de ações de bancos, o Ibovespa emendou nesta sexta-feira o terceiro pregão seguido de alta, alinhado ao sinal positivo do índice Dow Jones, em Nova York. Com valorização em três das últimas cinco sessões, o principal índice da B3 encerrou a primeira semana de setembro com alta de 1,78%, mais do que apagando a queda de 0,66% em agosto.

Entre os principais índices setoriais da B3, o IFinanceiro foi o único a apresentar valorização nesta sexta-feira (alta de 2,34%). As ações PN do Itaú subiram 3,35%, e ao passo que as PN do Bradesco avançaram 4,19%. Juntos, os dois papéis representam cerca de 16% da carteira teórica do índice. No acumulado do ano, enquanto o Ibovespa avança cerca de 17%, Itaú PN ganha 6,42% e Bradesco PN, 8,31%.

“Os bancos estavam com papéis muito descontados, porque haviam sofrido muito em agosto. Com preço atrativo, acabaram se beneficiando dessa volta do apetite ao risco e da possibilidade de redução dos compulsórios”, afirma Lucas Carvalho, analista de investimento da Toro, em referência a declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que o volume de compulsórios é elevado e há espaço para redução.

Segundo analistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Ibovespa se beneficiou nos últimos dias da recuperação de apetite global por risco, com recuperação de mercados acionários e moedas emergentes. Esse movimento teve como principal indutor o arrefecimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que afastou os temores de recessão nos EUA e, por tabela, de uma desaceleração mais abrupta da economia mundial.

Principal indicador do dia, o relatório de emprego nos Estados Unidos revelou geração de 130 mil vagas em agosto, abaixo da estimativa do mercado, de 150 mil. Apesar de ter vindo acompanhando de aumento nos salários, o resultado do chamado “payroll” reforçou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncie um novo corte de 25 pontos-base dos Fed funds – hoje entre 2% e 2,25%) – em 18 de setembro.

Em discurso no início da tarde, o presidente do Fed, Jerome Powell, não deu pistas claras sobre os próximos passos da instituição. Powell disse que a economia americana deve ter um crescimento moderado, entre 2% e 2,5% este ano, e que a inflação está caminhando para cima de volta à meta de 2%. Em tese, um sinal de que não se deve apostar em mais afrouxamento monetário. De outro lado, Powell ressaltou que a guerra comercial afeta as decisões de investimento e que o Fed vai continuar agindo de modo apropriado para sustentar a expansão da atividade, o que pode ser interpretado como uma indicação de mais cortes de juros.

Carvalho, da Toro, considerou o tom de Powell “neutro” e, apesar da crença dos mercados em nova redução dos juros, é preciso esperar indicadores da próxima semana, sobretudo dados de inflação nos EUA, para ter uma visão mais clara do rumo que o Fed vai tomar.

No cenário doméstico, analistas consideraram que já está refletido nos preços das ações a perspectiva de que a taxa Selic – atualmente em 6% ao ano – será reduzida até pelo menos 5% e que haverá uma aceleração, ainda que gradual, da atividade econômica nos próximos trimestres. Pela manhã, o IBGE divulgou que IPCA fechou agosto com variação de 0,11%, desaceleração ante julho (0,19%). Embora levemente acima da mediana das projeções colhidas pelo Broadcast (0,10%), o resultado do IPCA no mês passado reforça o cenário benigno para a inflação.