O brasileiro que nascer em 2008 terá que trabalhar pelo menos metade de sua vida só para pagar tributos. Esta é uma das conclusões de um estudo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Em um ano, o cidadão terá que trabalhar 148 dias para arcar com os impostos (praticamente cinco meses), ou seja, até o dia 27 de maio.

Considerando que a expectativa de vida do brasileiro é de 72,3 anos, da mesma forma a expectativa de pagamento de impostos, então, será de 29,29 anos. Ou seja, praticamente metade da vida. Outra conclusão do IBPT é que quem ganha mais paga menos. Como mostra o estudo, o brasileiro que tem rendimento mensal entre R$ 3 mil a R$ 10 mil (classe média) gasta 42,83% do que ganha só com impostos. Já a classe alta, que tem rendimento acima de R$ 10 mil, dispõe 41,72% de suas posses para os tributos. E quem ganha menos de R$ 3 mil paga 38,63% de impostos.

O estudo do IBPT traz ainda informações sobre o quanto o brasileiro pagou de tributos em outros anos. Na década de 70, por exemplo, o trabalhador tinha que atuar 76 dias no ano só para isso (ou dois meses e 16 dias). Na década de 80, a quantidade aumentou para 82 dias (dois meses e 22 dias) e, em 1990, chegou a 109 dias. Desde então, o tempo só aumentou. Ou seja, em 108 anos a expectativa de vida do brasileiro cresceu 116%, enquanto que a expectativa de pagamento de tributos aumentou 245%. O interessante é que em 1900, por exemplo, o cidadão não tinha que trabalhar nem quatro dias para pagar impostos. Em 1930, já eram necessários pelo menos seis dias. E a quantidade dobrou só em 1981, quando já era preciso trabalhar 13 dias para arcar com os tributos.

Enquanto no Brasil trabalha-se 148 dias só para pagar impostos, na Suécia, por exemplo, são necessários 185 dias, e na França, 149. Os mexicanos trabalham 91 dias para pagar impostos, enquanto que os chilenos, 92 dias. ?Vizinhos? dos brasileiros, os argentinos, por sua vez, têm que trabalhar 97 dias para arcar com os tributos.

A tributação incidente sobre os rendimentos (salários, honorários, etc) é formada principalmente pelo Imposto de Renda Pessoa Física, pela contribuição previdenciária e pelas contribuições sindicais. Além disso, o cidadão também paga a tributação sobre o consumo (PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS, etc) e também a tributação sobre o patrimônio (IPTU, IPVA, ITCMD, ITBI, ITR). O brasileiro arca, ainda, com outras tributações, como taxas de limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e contribuições para a iluminação pública, entre outras.