O governo poderá aumentar a cota de importação de trigo e estender o seu prazo de vigência, caso haja problemas de abastecimento do produto. Na semana passada, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou a importação de uma cota de até 1 milhão de toneladas de países de fora do Mercosul, com tarifa zero, por considerar insuficiente a decisão da Argentina de reativar parte das exportações de trigo ao Brasil. A isenção tarifária vai até 30 de junho.

Nas contas da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o Brasil precisaria de uma cota de 4 milhões para suprir a demanda brasileira no atual período de entressafra. "Eventualmente, se houver problema de abastecimento de trigo, a Camex pode estender a cota ou aumentá-la", declarou ontem a secretária-executiva da Câmara, Lytha Spíndola, referindo-se às incertezas sobre a próxima safra de trigo no País.

O assunto será um dos temas da agenda da Comissão de Monitoramento do Comércio Brasil-Argentina, que se reúne amanhã, em Buenos Aires. O comércio entre os dois países tem aumentado. Segundo estimativas do governo, o intercâmbio bilateral deve alcançar US$ 30 bilhões neste ano, 21% a mais do que em 2007.

No caso do trigo, porém, a cúpula do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior promete engrossar o tom nas discussões. "O Brasil dá prioridade e prefere importar o trigo da Argentina. Mas a instabilidade no fornecimento levou o governo a adotar esaa cota regulatória", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral.