A importação de botijões de gás de cozinha da China cresceu mais de 52 vezes em 2026, impulsionada pelo programa Gás do Povo do governo federal. No primeiro semestre, cerca de 515 mil botijões de 13 kg foram comprados no exterior, mais de 90% vindos da China. O volume representa quase um quinto de todas as peças novas que entraram no mercado brasileiro. Em 2025, as importações haviam somado apenas 9,9 mil unidades durante o ano inteiro. As informações são da Gazeta do Povo.

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O programa Gás do Povo atende cerca de 15 milhões de famílias, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o que elevou a demanda por novos botijões. A situação gerou uma disputa entre fabricantes nacionais e distribuidoras de gás.

Fabricantes pedem aumento de tarifa de importação

Fabricantes de botijões pedem ao governo que eleve a tarifa de importação dos atuais 12,6% para 25% por pelo menos 12 meses. O pedido foi apresentado em maio ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços pela Mangels, responsável por cerca de 30% do mercado nacional. A empresa alega desequilíbrio comercial desde que o imposto de importação sobre o aço foi elevado para 25% em abril de 2024. A tarifa sobre o botijão acabado, no entanto, não acompanhou a aplicada ao aço.

A Aratell, que detém outros 25% do mercado, uniu-se ao pedido. A companhia afirma que o avanço chinês tem implicações negativas sobre a competitividade, podendo resultar em perdas de emprego e menor investimento em produção e tecnologia.

Distribuidoras pedem isenção e alegam risco de desabastecimento

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O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo, que representa distribuidoras como Amazongás, Consigaz, Copa Energia, GasLog, Nacional Gás, Supergasbras e Ultragaz, pede ao governo que zere o imposto para importação de botijões. A entidade alega que a indústria nacional não tem capacidade suficiente para atender a demanda ampliada pelo programa Gás do Povo.

Segundo o Sindigás, o padrão atual de reposição de botijões de 13 kg gira em torno de 2% ao ano, o que equivale a 2,6 milhões de unidades. Com o programa, seriam necessários aproximadamente 10,5 milhões de novos botijões apenas para atender os beneficiários. Ao final do processo, o mercado pode demandar mais de 13 milhões de novos recipientes.

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As fabricantes contestam os números e afirmam que a indústria nacional possui capacidade suficiente. A Mangels estima que a demanda adicional ficará entre 900 mil e 1 milhão de botijões em 2026, volume que pode ser atendido pela produção nacional, que pode chegar a 12 milhões de unidades se necessário.

Empresas produtoras de aço, como a Companhia Siderúrgica Nacional e a Gerdau, são contra o pedido de isenção. O diretor executivo da CSN afirmou que a medida criaria incentivo artificial à substituição da produção nacional por importados, com efeitos como redução da demanda por aço nacional e perda de empregos industriais.

O pedido de isenção do Sindigás está em análise técnica no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O pleito da Mangels foi encaminhado no dia 27 ao Comitê de Alterações Tarifárias, que avaliará o pedido antes de emitir recomendação ao Comitê-Executivo de Gestão da Camex.