O programa federal Gás do Povo provocou um aumento de 50 vezes na importação de botijões de cozinha da China em 2026. A alta demanda gerada pelo programa, que atende cerca de 15 milhões de famílias brasileiras, dividiu o setor: fabricantes nacionais pedem mais impostos para barrar os produtos chineses, enquanto distribuidoras querem isenção total de tarifas para evitar desabastecimento. As informações são da Gazeta do Povo.

continua após a publicidade

Somente no primeiro semestre de 2026, as distribuidoras compraram 515 mil botijões no exterior, sendo 90% deles vindos da China. Em todo o ano de 2025, o Brasil havia importado apenas 9,9 mil unidades. O crescimento explosivo na demanda externa reflete a necessidade de novos vasilhames para atender as famílias beneficiárias do programa.

Empresas como Mangels e Aratell afirmam que há um desequilíbrio comercial. O governo aumentou para 25% o imposto sobre o aço, matéria-prima dos botijões, para proteger as siderúrgicas nacionais. Porém, manteve a taxa do botijão pronto importado em 12,6%. As fábricas locais dizem que essa diferença torna o produto brasileiro menos competitivo, ameaçando empregos e investimentos em tecnologia no país.

As distribuidoras, representadas pelo Sindigás, pedem que o governo zere o imposto de importação. Elas argumentam que a indústria nacional não tem agilidade nem capacidade imediata para entregar os milhões de botijões necessários para o programa. Segundo as empresas, o risco de não importar seria o desabastecimento, deixando as famílias beneficiárias sem o recipiente para usar o benefício.

continua após a publicidade

Gigantes como CSN e Gerdau são contra o pedido de isenção de impostos feito pelas distribuidoras. Elas avaliam que facilitar a entrada de botijões prontos cria um incentivo artificial que substitui a produção nacional. Isso resultaria em menor uso das fábricas brasileiras, queda na demanda por aço produzido aqui e desestímulo geral à indústria de transformação do Brasil.