O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas (ONU) para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, defendeu nesta quinta-feira (13) o uso de biocombustíveis e disse que seu impacto no preço dos alimentos ainda não passa de especulação. "Mais estudos são necessários para entender o efeito dos biocombustíveis nos mercados de grãos mas é pouco provável que essa energia ambientalmente amigável seja responsável pelo aumento dos preços da tortilla, no México, ou das massas, na Itália", afirmou Steiner, em uma conferência em Roma.

Na Itália, grupos de consumidores organizaram nesta quinta-feira uma greve em protesto contra o aumento de até 20% no preço das massas no mercado interno, resultado do salto nas cotações internacionais do trigo. Para Steiner, as flutuações dos preços agrícolas "sempre existiram", apesar de alguns grãos, como o trigo, terem atingido recordes históricos recentemente.

Os combustíveis feitos a partir de milho, óleo de palma e outras plantas têm sido aclamados por ambientalistas como mais limpos e baratos do que os fósseis, que emitem gases do efeito estufa. Por outro lado, políticos em vários países culpam a energia vegetal pelos altos preços dos alimentos e o encolhimento da oferta mundial de cereais. "Há apenas suposições neste momento", afirmou Steiner na conferência. "Estamos trabalhando com colegas de diferentes instituições para descobrir se a associação realmente pode ser feita", disse. As informações são Dow Jones.