Rio de Janeiro – Os preços dos alimentos no atacado começam a apresentar tendência de queda, segundo o Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) de janeiro, que ficou em 1,02%. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (18) pela Fundação Getulio Vargas, é inferior à taxa de dezembro (1,59%) e foi puxado pelo Índice de Preços no Atacado (IPA) – especialmente pelos alimentos in natura – cuja taxa foi reduzida de 8,54% para 1,87%.

O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas, Salomão Quadros, informou que um dos principais produtos em alta, o feijão, apresentou forte desaceleração, saindo de uma taxa de 46,89% em dezembro para 0,91% em janeiro.

Outros produtos, como batata inglesa e ovos, também tiveram desaceleração significativa. Quadros disse que os alimentos processados também estão registrando queda em suas taxas no atacado, como é o caso da carne bovina, um dos produtos que mais aumentaram no ano passado. O IGP-10 de janeiro apontou para uma alta de 0,94% no produto, contra 8,29% no mês anterior.

"A tendência é que, em fevereiro, a queda nos preços dos alimentos no atacado seja repassada para o varejo também", destacou o economista. Em janeiro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que faz parte do IGP-10, registrou alta de 0,81% em janeiro, contra 0,54% em dezembro. Por enquanto, o grupo alimentação ainda registra alta maior que o índice do mês anterior, saindo de 1,42% para 1,84%.

Para Salomão Quadros, a inflação de 2008 deve apresentar um movimento inverso: os alimentos deixariam de exercer a maior pressão sobre a taxa e seriam substituídos pelas tarifas de energia elétrica.

"A agricultura oscila muito, tem um ano de perda, mas depois um ano de recomposição. A expectativa é que a oferta de alimentos reaja, através de uma produção mais vigorosa. E, mesmo que a demanda continue forte, no Brasil e mundo afora, deve haver aumento produção", disse Salomão.