Brasília – A rejeição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo Senado tornou a reforma tributária emergencial, avaliou nesta quinta-feira (13) a líder do PT na Casa, Ideli Salvatti (SC). Segundo ela, a reforma precisa ser aprovada no primeiro semestre do ano que vem.

continua após a publicidade

"Estamos colocando todos os esforços na reforma tributária. Os tributos não poderão mais ter caráter provisório", afirmou Ideli. Segundo ela, precisa ser criado algum tributo que combata a sonegação ao incidir sobre as movimentações bancárias, como ocorre com a CPMF.

Em relação ao orçamento, a senadora afirmou que será necessária a readequação à nova realidade para que setores como a área social, responsabilidade fiscal, crescimento econômico não sejam atingidos. Ela também ressaltou que a Emenda 29, que regulamenta os repasses da União, estados e municípios para a saúde e está em tramitação no Senado, ficou prejudicada. "Aqueles R$ 24 bilhões a mais da CPMF que o governo colocaria na saúde não têm jeito. É uma perda para a população brasileira", avaliou.

Para a líder petista, dois anúncios feitos ontem (12) podem ter influenciado na postura "rígida" da oposição às propostas do governo para a aprovação da CPMF: o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a divulgação da pesquisa CNI/Ibope, na qual o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 51 % de avaliação ótima e boa.

continua após a publicidade

Ideli ressaltou ainda que a rejeição da CPMF terá muitas conseqüências que precisarão ser administradas pelo governo. "Vamos administrar as conseqüências do resultado da votação da CPMF por um bom tempo. A oposição vai comemorar por uns três dias. Vamos ter que adequar o orçamento, com cortes aqui e lá para resolver o problema dos R$ 40 bilhões", disse.

A senadora admitiu que poderá ser necessária a convocação extraordinária do Congresso no mês de janeiro para discutir e votar o orçamento: "Vamos iniciar o ano que vem sem orçamento aprovado e com restrições da lei eleitoral, que restringe os repasses para estados, municípios e entidades só até junho por causa das eleições municipais?.

continua após a publicidade

Ideli também afirmou que será necessário que o governo amplie os canais de negociação com a oposição no Senado para as futuras votações da Casa. "O governo tem que ter uma relação diferenciada com o Senado. O Senado tem uma tradição diferenciada da Câmara. O Executivo precisa estabelecer canais com envolvimento mais efetivo do governo como um todo", declarou.