Economia

Ibovespa registra pior semana desde março de 2020 após eleição

Imagem mostra uma trabalhando em um computador.
Foto: Pixabay / Memin Sito

O principal índice da Bolsa brasileira encerrou a semana com desvalorização acumulada de 18,12%, o pior resultado semanal desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de covid-19. Nesta sexta-feira (30), o Ibovespa fechou aos 167.921,80 pontos, com baixa de 0,75%, completando cinco pregões seguidos de perdas. As informações são da Gazeta do Povo.

A forte queda teve início após o resultado da eleição presidencial de domingo (25), que reconduziu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao cargo. Parte dos investidores esperava a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e possíveis alterações na gestão econômica. Na segunda-feira (26), o índice despencou 13,88%, a maior baixa diária desde março de 2020, levando a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações para conter oscilações bruscas.

Ao longo dos cinco pregões, a Bolsa perdeu aproximadamente 37,2 mil pontos. Desde o recorde de 9 de outubro, quando atingiu 209.066,90 pontos, a desvalorização já soma cerca de 41 mil pontos. O desempenho positivo acumulado em 2026, que chegou perto de 30%, recuou para aproximadamente 4%. Somente na segunda-feira (26), o mercado perdeu cerca de R$ 734 bilhões em valor.

Quinta maior queda semanal desde o Plano Real

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta com dados da B3, a desvalorização de 18,12% representa a quinta maior queda semanal do Ibovespa desde julho de 1994, início do Plano Real. As perdas mais expressivas ocorreram em outubro de 1997, durante a crise asiática, com recuo de 22,17%; em outubro de 2008, na crise financeira internacional, com baixa de 20,01%; e em março de 2020, no início da pandemia, quando a queda chegou a 18,88%. O recuo desta semana também igualou a desvalorização registrada na semana dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

O dólar comercial fechou esta sexta-feira (30) cotado a R$ 5,444, com alta de 1,05% no dia. Na semana, a moeda americana acumulou valorização de 9,04% frente ao real, o maior avanço semanal desde outubro de 2008. A cotação também atingiu o maior valor de fechamento de 2026. Durante o pregão, o dólar oscilou entre R$ 5,387 e R$ 5,462. Em outubro, a moeda acumulou alta de aproximadamente 5,2%.

Preocupações fiscais e expectativas para a Selic

A reação negativa reflete principalmente a preocupação com os rumos da política econômica no próximo mandato. A vitória petista reverteu expectativas de alternância de poder e mudanças na condução das contas públicas, elevando a percepção de risco fiscal. Fatores externos também contribuíram para a volatilidade, incluindo decisões sobre juros nos Estados Unidos e na Europa, conflitos geopolíticos e sinais de desaceleração das principais economias.

O mercado acompanha a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para a próxima semana. A taxa Selic está em 13,75% ao ano. Um levantamento divulgado pela B3 na quinta-feira (29), com base nos contratos negociados no mercado, apontou probabilidade de 63,1% de manutenção da taxa nesse patamar. A possibilidade de redução para 13,50% era de 28%. A mudança nas expectativas reflete a cautela dos investidores diante das incertezas sobre a política monetária e a trajetória fiscal do país.

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