A produção de veículos recuou 23,2% em abril ante igual mês de 2014, resultado que pressionou o total da indústria (-7,6% nesta base de comparação), afirmou nesta terça-feira, 02, André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da 14ª queda seguida no segmento neste tipo de confronto.

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“Isso reflete situação do setor de veículos como um todo, com redução de jornada de trabalho, redução de pessoal ocupado. Esse setor industrial vem tentando adequar sua produção corrente à demanda existente”, explicou Macedo. “O nível de estoque está acima de seu padrão habitual. Toda a redução de ritmo observada mês a mês objetiva normalizar essa variável importante”, acrescentou.

A redução de ritmo na produção de veículos atinge principalmente os automóveis e os caminhões. Porém, eles não são os únicos a registrar perdas na atividade. Segundo o gerente do IBGE, quase 90% dos produtos investigados no setor de veículos mostram queda no ritmo em abril ante abril de 2014. Essa fatia chega a 92% quando levado em conta o desempenho acumulado no ano.

“Os automóveis e caminhões são mais impactados, e as peças vêm a reboque”, disse Macedo. Ainda segundo ele, outros setores da indústria de transformação são puxados pelo mau resultado de veículos, como metalurgia, borrachas e plásticos. Todos eles exibem queda na produção no acumulado de 2015.

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Indústria farmacêutica

Ainda de acordo com o gerente do IBGE, a pressão de custo devido à importação de matérias-primas pode estar por trás do mau desempenho recente da produção farmacêutica. Além disso, a desaceleração da renda das famílias também pode ter diminuído a demanda por esse tipo de bem. Em abril, o setor registrou queda de 5,3% na atividade ante março e recuo de 23,5% na comparação com abril do ano passado, com destaque negativo para os medicamentos.

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“É um comportamento distinto de 2014. O início de ano exibe comportamento de queda para além da volatilidade. Talvez a pressão de custos, em função de esse segmento trabalhar com matérias-primas importadas, possa ser importante. Também depende da renda. Dado o momento atual de redução do consumo das famílias, isso também pode estar por trás”, explicou Macedo.

Dentro dos bens de consumo semi e não duráveis, a indústria farmacêutica teve recuo de 19,8% na produção no primeiro quadrimestre deste ano em relação a igual período de 2014.

Indústria extrativa

Na contramão do desempenho da indústria de transformação, o setor extrativo exibiu em abril a quinta alta consecutiva na atividade, puxado pela extração de minério de ferro e de petróleo. O avanço foi de 1,5% ante março, informou hoje IBGE. “Em qualquer comparação que a gente observe, esse setor é destaque”, afirmou Macedo. Na comparação com abril do ano passado, a alta foi de 11,1%.

“Isso se deve tanto à extração de minério de ferro quanto de petróleo. Os dois, de alguma forma, vêm retratando investimentos que foram feitos no passado, com aumento de capacidade produtiva e plataformas que foram colocadas no processo de produção”, explicou. A indústria em geral, porém, registrou perda de 1,2% no período, segundo o IBGE. “A indústria extrativa exibe comportamento totalmente distinto do setor de transformação”, disse.