O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avalia incluir atividades ilícitas como tráfico de drogas, contrabando e jogos de azar no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. A mudança metodológica está prevista para ser divulgada em 2028 e segue recomendações internacionais da ONU, FMI e Banco Mundial. As informações são da Gazeta do Povo.

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O IBGE confirmou que o projeto de revisão está em andamento e segue o manual internacional System of National Accounts 2025, adotado pela Comissão de Estatística das Nações Unidas. O documento recomenda que transações de mercado envolvendo bens ilegais, como entorpecentes, sejam registradas nas contas nacionais para evitar inconsistências entre países.

A instituição ressalta que a adoção das recomendações depende de estudos técnicos e disponibilidade de dados, não sendo automática. Uma nota metodológica publicada em outubro de 2025 citava explicitamente a inclusão de estimativas de contrabando, jogos de azar e comercialização de drogas. Uma versão posterior, de setembro, retirou o trecho detalhado.

Europa e outros países já contabilizam atividades ilegais

Na União Europeia, a inclusão de atividades ilegais nas contas nacionais é obrigatória desde 2014. O manual do Eurostat cita produção e tráfico de drogas, prostituição e contrabando de álcool e tabaco entre as atividades consideradas. Austrália, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Sérvia e Ucrânia também adotam essas estimativas.

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Nos Estados Unidos, um estudo de 2019 do Bureau of Economic Analysis estimou que a inclusão de tráfico de drogas, prostituição e jogos de azar ilegais elevaria o PIB nominal americano de 2017 em mais de 1%.

Mudança pode elevar PIB brasileiro em mais de 4%

O economista Bráulio Borges, do FGV Ibre, estima que o PIB nominal brasileiro seria revisado para cima com a nova série. Apenas a atualização de dados preliminares para definitivos deve elevar o valor de 2024 em quase 4%, podendo superar 5% com a mudança metodológica completa.

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Borges explica que a revisão não altera a realidade econômica do país, mas muda a régua de medição. Dívidas, receitas e despesas públicas continuam as mesmas. Porém, indicadores expressos como proporção do PIB seriam afetados. Uma revisão de 1% para cima reduziria em cerca de 0,83 ponto percentual a relação dívida/PIB, considerando uma dívida de 83% do PIB.