A pressão na energia elétrica, item com maior influência de alta no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho com 0,10 ponto porcentual, veio da região metropolitana de São Paulo, que deverá continuar com alta em agosto. O aumento da energia elétrica em São Paulo captado pelo índice em julho foi de 11,75% e a média nacional ficou em 3,25%, apesar de nenhuma outra capital pesquisada ter tido alta no item, segundo a coordenadora de Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes.

De acordo com o IBGE, o reajuste da tarifa da Eletropaulo foi de 12,90% e entrou em vigor em 4 de julho. Eulina afirmou que algo em torno de 1,5% entrará como resíduo do reajuste em São Paulo, uma parte que ainda não foi captada e “tem de vir” no índice de agosto. Eulina também identificou aumentos regionais que deverão ser captados pelo IPCA de agosto. Citou o reajuste de 6% na taxa de água e esgoto no Rio de Janeiro e reajustes de táxi em Salvador (+13,3% no quilômetro rodado), Fortaleza (+9,5% na bandeirada e na tarifa do quilômetro rodado) e Belém (+9,9 na bandeirada e +6,3% no quilômetro rodado).

Tendência

O IPCA em 12 meses está com tendência de queda desde março, mas “é uma incógnita” se ela continuará em agosto, de acordo com Eulina Nunes. Em fevereiro, o IPCA em 12 meses estava em 5,90% e foi caindo mês a mês até chegar em 4,50% em julho, nível que coincide com o centro da meta para a inflação do ano. A redução se deve ao fato de os índices deste ano a partir de março terem sido menores que nos mesmos meses do ano passado. O IPCA de julho de 2008, por exemplo, foi de 0,53% e saiu da série dos últimos 12 meses com a entrada do IPCA de julho de 2009, de 0,24%. O IPCA agosto de 2008, porém, foi de 0,28%, nível já próximo do resultado do mês passado.

 

Eulina observou que as commodities no ano passado, antes do agravamento da crise a partir de setembro, subiram mais e ajudaram a aumentar o IPCA em 2008 antes de setembro. “A crise está indiretamente ajudando a inflação a ficar mais contida”, afirmou. Ela também comentou que a taxa de -0,06% para os produtos alimentícios no IPCA de julho de 2009 mostra estabilidade, e não queda de preços dos alimentos. “Na média, é como se os alimentos não tivessem aumentado”, disse. Eulina afirmou ainda que a queda de 0,12 ponto porcentual no IPCA de julho em relação ao de junho, que foi de 0,36%, “é significativa”.