IBGE: construção contrata, mas indústria demite em abril

Enquanto o setor de construção deu um salto nas contratações em abril, a indústria voltou a dispensar trabalhadores, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento das vagas na construção foi de 4,7% em relação a março, um adicional de 84 mil vagas. A indústria, por sua vez, teve um recuo de 1,6% nas vagas, o que representa menos 58 mil postos de trabalho.

“A construção chama atenção. Foram 84 mil pessoas que entraram na construção em março. E não é um crescimento de hoje, porque, em relação ao ano passado, foi a atividade que mais cresceu, quase 10%. É um reflexo do aumento do poder de compra da população”, afirmou Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Na comparação com abril de 2011, o emprego na construção aumentou 9,9%, com 168 mil trabalhadores a mais, enquanto a indústria ficou estável (0%), com a dispensa de 2 mil funcionários.

“De janeiro a abril, o emprego na indústria variou 0,1%. Não se movimentou. As entradas compensaram as perdas. No mês passado, o emprego na indústria tinha dado uma puxada forte de 3,0%”, explicou Azeredo. “No ano, (o emprego na) construção teve crescimento de 1,6%, com uma puxada forte agora nesse ultimo mês.”

O aumento nas contratações na construção ocorreu em São Paulo e no Recife. “São Paulo puxou a construção, cresceu 9,9%, com a criação de 66.494 postos de trabalhos em um mês”, disse o pesquisador. Recife também registrou crescimento expressivo na criação de vagas, de 9,8% em abril ante março, o equivalente a 11.357 postos de trabalho a mais.

Na indústria, São Paulo contribuiu para o recuo no emprego em abril em relação a março, com a dispensa de 37 mil trabalhadores, uma queda de 2,0%. Em Salvador, a redução foi maior, de 11,7%, com o corte de 21 mil vagas. Recife teve diminuição de 7,1% nos empregados na indústria em abril ante março, com o corte de 13 mil postos de trabalho. “Os investidores, que são os patrões e empregadores, ainda não iniciaram um processo produtivo que possa estar gerando postos de trabalho”, apontou Azeredo.

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