Um parecer técnico de 177 páginas, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), provocou alvoroço entre os gestores do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ao rejeitar licença ambiental para a reconstrução da rodovia BR-319, única ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho, na Amazônia. Com 405 quilômetros de extensão, a obra é um dos focos de discórdia entre os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Carlos Minc (Meio Ambiente), que teme os danos ecológicos da obra.

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Depois de bater boca em público com os ministros encarregados do PAC, Minc foi repreendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho e teve de abrandar as críticas aos colegas, além de fazer concessões, para não perder o cargo. Mas o parecer do Ibama, órgão a ele subordinado, considera a rodovia ambientalmente “inviável” e impede o início das obras sem que sejam realizadas adaptações para proteção da flora e fauna no entorno da rodovia. O documento também aponta falhas graves no diagnóstico dos impactos ambientais feitos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (DNIT).

O governo admitiu que, por causa do parecer, o cronograma da obra será retardado. O PAC previa a conclusão da rodovia até o início de 2012, mas para isso os trabalhos teriam de ser iniciados neste mês de julho. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, o maior entusiasta da obra, não quis comentar a decisão, para não aprofundar o clima de hostilidade com Minc e os ambientalistas. Ele informou que todas as complementações necessárias ao projeto serão feitas. O DNIT, por sua vez, informou que vai pedir prazo para atender às novas demandas impostas pelo Ibama e contestar os pontos que considera injustos no parecer.

Com 870 quilômetros no total, a rodovia é a única ligação terrestre entre Porto Velho e Manaus. O trecho que está sendo reconstruído com recursos do PAC, no valor de R$ 650 milhões, mede 405 quilômetros e encontra-se em estado deplorável. A rodovia foi pavimentada nos anos 70, pelo regime militar, para fins de integração da Amazônia. Mas por falta de manutenção, sofreu intensa degradação e hoje precisa ser quase que totalmente reconstruída. De regime pluviométrico elevado, a região tem extensos trechos de atoleiros e em várias partes a rodovia foi engolida pela floresta.

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