Foto: Arquivo/O Estado

Jorge Alves, diretor da rede Bristol: de olho no mercado externo.

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O ano novo chegou, trazendo uma série de boas expectativas. Entre os empreendimentos hoteleiros, o clima não é diferente: alguns fazem planos de expansão, enquanto outros vão trabalhar para aumentar a taxa de ocupação. A realização de eventos grandes em Curitiba, como o da ONU, marcado para março, também anima o setor. A expectativa é que 2006 supere os resultados obtidos no ano que passou.

No Pestana Curitiba Hotel, que completou um ano de operação em novembro, 2005 poderia ter sido melhor, afirmou o gerente-geral da unidade, Joaquim Paz. ?Tivemos uma taxa de ocupação de 44%, abaixo da expectativa inicial que era de 58%?, contou Paz, acrescentando que, apesar disso, a rede teve uma participação de mercado muito significativa. ?Essa ocupação, abaixo do esperado, aconteceu em detrimento do baixo volume de eventos. A hotelaria de Curitiba num todo teve uma situação um pouco complicada?, analisou.

Para Paz, há muitos hotéis novos na capital paranaense. ?Houve a abertura de muitos hotéis, o que dividiu o ?bolo??, apontou. Para ele, falta um trabalho de marketing mais agressivo da cidade para atrair não só o turismo de eventos, mas o de lazer e o cultural. ?Curitiba tem um potencial muito grande, ótimos locais para eventos, além de muitas opções de hotéis e restaurantes. Muitos não conhecem as alternativas da cidade?, afirmou.

Para 2006, a expectativa é atingir a taxa de ocupação de 58%. ?Haverá vários eventos importantes, como o da ONU, o da Abad. Isso realmente vai ajudar a compor um volume maior de hóspedes?, comentou. Os Hotéis Pestana, de bandeira portuguesa, têm sete unidades na América do Sul. A meta da rede, segundo Pestana, é abrir no Brasil um empreendimento por ano nos próximos dez anos.

Abaixo de 2004

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No Four Points Sheraton, da rede Atlântica Hotels, os resultados de 2005 também ficaram aquém do esperado. Segundo o gerente-geral da unidade em Curitiba, Elias Rodrigues, a taxa média de ocupação ficou em 51% – abaixo da taxa média do ano anterior, que foi 55%. ?Nosso objetivo era manter os mesmos 55%, mas o número de eventos que teve em Curitiba em 2004 não se repetiu em 2005?, lamentou. Com isso, o faturamento também permaneceu o mesmo, enquanto a expectativa era aumentar em 10%.

Para 2006, a projeção é de crescimento de 16%. ?Até porque já há alguns eventos confirmados, como o da ONU, que vai movimentar bastante a economia?, afirmou. Serão quase quinze dias que atrairão entre 8 e 10 mil pessoas a Curitiba. ?Como o Four Points é um empreendimento de bandeira internacional, já conhecido lá fora, isso facilita muito.?

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Sobre o mercado em si, Rodrigues afirmou que Curitiba não tem demanda suficiente para o número de leitos disponíveis. ?São cerca de 14 mil leitos, e Curitiba não tem toda esta demanda. E digo isso em relação a todas as categorias, inclusive a econômica?, afirmou. Apesar disso, a Atlântica Hotels vai assumir, a partir deste mês, um outro empreendimento: o Radisson, em substituição ao Blue Tree Towers, no bairro Batel. Além disso, está previsto para abril o Comfort, no segmento econômico.

Mercado internacional

Para a rede Bristol Hotéis & Resorts, 2006 será um ano decisivo. A previsão é que ainda no primeiro semestre a rede, que nasceu em Curitiba, coloque sua bandeira no mercado internacional. O plano é projetar a marca Bristol nos mercados da França, Portugal, Bolívia e Argentina, considerados promissores pelo diretor-presidente da Rede, Jorge Alves. No Brasil, a rede anuncia a abertura de mais três unidades em 2006, entre hotéis executivos e um grande resort. Em 2005, a rede registrou faturamento de R$ 55 milhões, com a administração de 17 empreendimentos hoteleiros, resultando em crescimento de 22% em relação ao ano anterior.

Conforme avaliação de Jorge Alves, o mercado de Curitiba já está saturado. ?São cerca de 160 hotéis fora os que estão em construção. A cidade está bem servida, e não haveria necessidade de novos empreendimentos nos próximos cinco anos?, afirmou. ?Há uma superoferta de unidades e cada vez que o número de leitos aumenta, a competição fica mais acirrada, mais intensa, mais desigual. Com mais produto na praça e o mesmo número de clientes, a tendência é baixar ainda mais as tarifas?, apontou.