Chuniti kawamura / GPP
Chuniti kawamura / GPP

Ao todo, são 125 hortas que
produzem 26 tipos de hortaliças.

Em uma paisagem aparentemente pobre, de terra seca, poeira, pedra e fumaça de fábricas, 125 hortas, em uma extensão de cinco quadras, são fonte de renda, terapia e alimento para famílias da Vila Eucaliptos, em Fazenda Rio Grande. Faz dois anos que as hortas foram montadas pela Petrobras, mas faz pouco tempo que os produtores recebem apoio técnico e estão aptos a comercializar, em feiras, a produção: 26 tipos de hortaliças.

O acompanhamento profissional vem do curso de Agronomia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Como estágio, o estudante José Marcelo Camargo aplica junto à comunidade o que aprende no curso. ?Quando foram disponibilizadas as hortas, em uma área recuperada sobre o duto da empresa, as pessoas produziam sem oferecer retorno para o solo, que ficou esgotado. Em janeiro, entraram em contato conosco para acompanhamento técnico. Fizemos análise do solo, calagem (introdução de calcário) e colocamos material orgânico no solo. Além de realizar um trabalho de irrigação, que acabei de aprender, e trabalhar da maneira mais natural possível?, explica o futuro agrônomo.

Animado, o estudante conta que, com as feiras montadas aos sábados, ?em três meses a gente conseguiu levantar R$1.700 de renda líquida. 10% vai para manutenção da horta e o que sobra eles dividem. Atualmente são 20 pessoas trabalhando lá?.

Satisfeita

A dona-de-casa Leonilda Albana de Andrade, 50 anos, está bastante satisfeita com os resultados do projeto. ?Antes eu ficava só com o trabalho de casa. Agora eu venho carpir, plantar, ajudar em todos os serviços da horta e já faço uma caminhada. Além disso, o dinheiro que vem é pouco, porque está no início, mas já ajuda?, afirma.

Olivino Grechoniak, 57 anos, veio para cidade para trabalhar como motorista, mas cresceu na lavoura. Agora, aposentado, a horta preenche o dia e a saúde. ?Se eu ficar em casa, fico até doente. Aqui eu venho, me ocupo. É uma distração. Sempre gostei de trabalhar com a lavoura. Estou como eu queria, muito contente?, conta.

Para o também aposentado João Andrade, 51, bom mesmo é poder ajudar em casa. ?Quando a gente é aposentado, ninguém mais tem trabalho. Agora não. Eu levanto de manhã, venho aqui e só tirar um matinho e na hora do almoço poder tirar uma verdura fresca e levar para casa já é ótimo. Sem contar que hoje mesmo já tenho três fregueses para entregar produto?, afirma ele, dizendo que aos poucos a população da área está tomando conhecimento dos benefícios de um produto fresco e sem agrotóxico.

O professor da PUC, Marcelo Cabral Jahnel, supervisor do estágio, também se orgulha do trabalho dos moradores e do aluno. ?Não é só a horta em si, a aplicação da técnica, é o contato com a comunidade: o resgate da cidadania, a valorização do saber da população e, é claro, a renda deles?, afirma o professor que agora tenta ampliar as vagas de estágios e os projetos de outras hortas como essas.