Foto: Átila Alberti/O Estado

Horário é adotado para utilização maior da luz solar.

À meia-noite de hoje, os ponteiros dos relógios deverão ser adiantados em uma hora, dando início a mais uma edição do horário de verão brasileiro. A determinação vale para todos os estados do sul, sudeste e centro-oeste, incluindo o Distrito Federal. Este ano, o horário de verão está começando mais tarde, em função do período eleitoral. A medida segue até o dia 24 de fevereiro de 2007.  

Além de aliviar a carga do sistema elétrico no horário de pico, a mudança proporciona economia da ordem de 0,5% nos níveis de consumo de eletricidade, que decorre basicamente do menor tempo de uso de lâmpadas. A medida também melhora as condições de operação do sistema elétrico interligado, no período crítico entre 18h e 21h, quando a demanda por energia atinge seus patamares mais elevados.

Artifício

O horário de verão é um artifício utilizado para aproveitar melhor a luminosidade natural, mais intensa nesta época do ano, quando os dias são mais longos que as noites. A lógica consiste em antecipar a rotina das pessoas em uma hora, ?esticando? o final das tardes e aliviando as condições de operação do sistema elétrico no chamado ?horário de ponta?, o momento do dia em que ocorre a maior demanda simultânea por energia.

Isso acontece em razão da defasagem criada entre o período de máximo consumo das diferentes categorias de usuários, evitando que seus picos coincidam e se sobreponham. Como se dá com as residências, por exemplo, onde a demanda por energia elétrica sobe a partir do encerramento do horário comercial: durante o horário de verão, a maior parte das pessoas está voltando para casa e usando eletrodomésticos e chuveiros com o dia ainda bastante claro, muito tempo antes dos sensores fotoelétricos da iluminação pública acionarem automaticamente o acendimento das lâmpadas nas ruas.

Redução de 6%

A folga operacional no horário de ponta é estimada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) em aproximadamente 5% da potência que normalmente transita pelo setor elétrico naquele horário. Em números, isso pode ser traduzido como 2.100 megawatts de potência evitada na área de abrangência do horário de verão, o equivalente à capacidade de produção de três turbinas de Itaipu ou toda a demanda, na ponta, do Estado de Santa Catarina.

No sistema operado pela Copel, espera-se que a redução de carga durante o horário de ponta seja em torno de 6% ou de 240 megawatts, o que equivale à demanda máxima da cidade de Londrina, o segundo maior centro urbano do Paraná, ou à potência instalada na Usina Governador Parigot de Souza (Capivari-Cachoeira).

?A adoção do horário de verão permite que instalações importantes do setor elétrico, como usinas, linhas de transmissão e subestações, trabalhem com folga, elevando os níveis de confiabilidade do sistema?, explica Ana Rita Xavier Mussi, gerente do Centro de Operação do Sistema Elétrico da Copel. ?O alívio nas condições de funcionamento também permite realizar paradas para manutenção preventiva sem riscos ao atendimento do mercado, o que é um benefício enorme?, complementa.

Histórico

A história do horário de verão no Brasil começou na década de 30, pelas mãos do então presidente Getúlio Vargas. Sua versão de estréia durou quase meio ano, vigorando de 3 de outubro de 1931 até 31 de março de 1932. Nos 35 anos seguintes, foi adotado em nove oportunidades: em 1932, de 1949 a 1952, em 1963 e de 1965 a 1967. Desde 1985, o horário de verão tem sido adotado com regularidade no país.

Preços da energia no atacado vão aumentar de novo

Rio (AE) – Os preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista voltaram a registrar forte alta esta semana, mesmo com o grande volume de chuvas registrado em outubro na região sudeste.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o MW/h nas regiões sudeste-centro oeste/ sul e norte subiu para R$ 94,81, com alta de 35,07% na semana. No nordeste, a alta também foi expressiva, com valorização de 37,73% em relação ao patamar anterior. Mesmo assim, o nordeste continua com os menores preços no mercado atacadista, com o MW/h cotado a R$ 33,29.

Os preços deste início de novembro são quase três vezes superiores aos registrados em igual período do ano passado, sinalizando a menor disponibilidade de água nos reservatórios das grandes hidrelétricas. No início de novembro de 2005 os preços no sudeste e norte estavam em R$ 32,72, na média. Na região sul o MW/h era cotado a R$ 18,33 e no nordeste estava em R$ 18,58, praticamente o piso de preços fixado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Pelo acompanhamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) o patamar atual é confortável em termos de oferta de energia elétrica no horizonte de dois anos. Os reservatórios do sudeste/centro-oeste estão em torno de 40,70% da capacidade máxima de armazenamento, o que significa uma sobra de 21,70 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco.

No sul os reservatórios estão no nível de 45,20% da capacidade de armazenamento (folga de 17,20 pontos percentuais) e de 52,26% no nordeste (folga de 31,26 pontos). Como as chuvas aumentam nos meses de novembro/dezembro no sudeste, norte e nordeste é provável que haja recuperação dos reservatórios nos próximos meses.

Pelos dados do ONS, as chuvas de outubro ficaram acima da média histórica na região sudeste, onde se concentram cerca de dois terços da capacidade de armazenamento de energia no país. Mas o nível atual é inferior ao registrado em 2004 e 2005.

A energia armazenada no sudeste no final do mês passado somava 84.255 MW médios, cerca de 22% abaixo do observado no final de outubro de 2005 (108.017 MW médios) e 2004 (110.901 MW médios). Em 2003, porém, estava em 72.318 MW médios e em 2002 era de 69.407 MW médios. Nos períodos críticos do racionamento de energia elétrica, entre 2000 e 2001, porém, o volume era bem menor: 36.846 MW médios e 34.082 MW médios, respectivamente.

O total armazenado no país, incluindo os quatro submercados, somava 123.214 MW médios no final de outubro, ante os 157.678 MW médios de outubro de 2005, dos 160.854 de 2004 e dos 98.456 MW médios de 2003. Esse patamar garante autonomia na oferta de energia elétrica nos próximos dois anos, mas em situação menos confortável do que o registrado nos últimos dois anos. Até porque houve aumento no consumo nesse período. Em 2004, por exemplo, o consumo médio estava em torno de 43.732 MW médios diários, subindo para 45.712 MW médios em 2004 e este ano a média está em 47.265 MW médios. Desta forma, o total armazenado em outubro de 2004 corresponde a 3,68 meses de consumo, caindo para 3,45 meses em outubro do ano passado e para 2,61 meses no final do mês passado.